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Antonio Pitanga abre o coração na série Atos

Experiente ator relata sua rotina antes de entrar em cena e bastidores

Às vésperas de festejar 80 anos de vida e com 60 de carreira, Antonio Pitanga é o convidado da série Atos que a TV Brasil exibe às 20h30 deste domingo (24). Considerado um dos principais nomes do cinema, teatro e televisão no país, o veterano ensina e orienta com a emoção de um menino.

A entrevista sobre os desafios do processo de formação do ator é conduzida por um grupo de intérpretes em formação. O bate-papo do ator com os estudantes de teatro é mediado pelo professor e diretor teatral Antonio Gilberto, na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), parceria da emissora pública no projeto.

O artista foi um dos únicos atores negros durante o período do Cinema Novo e fez história ao dirigir o longa "Na boca do mundo" (1979), considerado um marco no cinema negro brasileiro.

No currículo, mais de cem filmes, novelas, séries e especiais. Inspiração para gerações, o ator conversa durante a gravação do Atos sobre sua trajetória artística, sempre permeada de consciência política.

"Eu nunca pensei em ser referência, mas a idade vai nos dando conhecimento e maturidade para olhar no retrovisor e constatar que fiz uma bela caminhada", avalia o ator, que atribui seu crescimento ao instrumento socializador da cultura em suas mais diversas vertentes.

Pitanga também revela quem são suas referências artísticas desde que iniciou a carreira. Ele cita Ruth de Souza, Abdias do Nascimento, Grande Otelo, Fernanda Montenegro, Nathalia Timberg, Sérgio Britto e Othon Bastos, entre outros. "Eu bebo muito na fonte dos meus colegas, eu aprendo muito vendo espetáculos dos meus colegas. Gosto muito de ir ao teatro e ao cinema", acrescenta.

Em se tratando de cultura, tema que o move com paixão, Pitanga tece críticas à condução das políticas culturais no país, a qual considera perversa: "A gente continua sendo o Dom Quixote, procurando o moinho. A cultura continua assim", dispara.

Convidado explica como trabalha seus personagens

Durante o encontro gravado na CAL, o artista fala do início da sua carreira no cinema ainda em Salvador, reflete sobre a relação entre juventude e maturidade, destaca a importância do teatro na formação dos atores e reverencia o cineasta Glauber Rocha.

"Eu quero homenagear Glauber Rocha. Ele foi importante na minha vida porque me disse: 'Quer ser ator, faça teatro'. Ele me levou para o seio da sua família, dos seus amigos e abriu as porteiras das relações e do conhecimento".

Seguido pelo olhar ávido por conhecimento dos alunos, com questionamentos sobre a arte de atuar, o generoso Pitanga – como é chamado pelos amigos – dá uma verdadeira aula de cultura brasileira, cinema, televisão e teatro.

"Tenho uma maneira muito particular de trabalhar meus personagens independente de ser urbano, rural, de época. Eu vou para as ruas. Vou para a multidão. Lá eu consigo entender que universo é esse. São mil vozes e rostos. Começo a trabalhar no entender do ser humano, das suas manifestações e reações. Isso me agrada e me dá paz", afirma.

Pai da atriz Camila Pitanga e do ator Rocco Pitanga, o experiente artista conta como se prepara para entrar em cena. Também faz exercícios de corpo e passa referências para o grupo.

"Sou muito peralta nesse negócio de exercício, alongamento. Gosto de chegar uma ou duas horas antes [da peça começar]. Ir ao camarim. Gosto de visitar o palco. Fazer minha dança, minha capoeira. Quando eu volto ao camarim já estou um pouco inebriado, olho o texto novamente e entro em cena."

Antonio Pitanga deixa recomendações para o artistas em formação. "Uma dica que eu daria para jovens atores que estão começando a carreira: estude, se ame, se respeite. Acho que não existe coisas mais bonita no ator do que este campo vasto de conhecimento. Estudar é importante. Isso não tem preço. É muito caro".

No final do episódio de Atos, o convidado é homenageado pelos atores-alunos que interpretam uma cena do filme "A Grande Feira " (1961), do diretor Roberto Pires, no qual Pitanga viveu o personagem "Chico Diabo".

Sobre a série da TV Brasil

Com um formato leve, intimista e dinâmico, a série Atos examina um sentido mais amplo das artes cênicas ao mergulhar no processo de formação do ator, criando um espaço de entrevistas e pequenos jogos teatrais que são apresentados com naturalidade nos quadros do programa.

Cada episódio tem como convidado um ator ou diretor renomado sendo entrevistado por estudantes de interpretação, com mediação do professor e diretor teatral Antonio Gilberto. O programa é uma parceria entre a TV Brasil e Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) onde a atração é gravada.

Dirigido por Manoel Borges e Waldecir de Oliveira, o programa Atos busca fugir dos padrões convencionais televisivos, a partir do deslocamento do estúdio de gravação para o palco teatral.

Nomes consagrados da cena artística nacional abrem o coração e revelam histórias e acontecimentos que marcaram suas carreiras. Em 13 episódios semanais de 26 minutos, Atos recebe figuras ilustres da dramaturgia brasileira.

Participam dessa primeira temporada da atração personalidades como as atrizes Heloísa Périssé, Françoise Forton, Cristina Pereira, Jane Di Castro, Carmem Verônica e Julia Lemmertz, os atores Otávio Augusto, Tônico Pereira, Antonio Pitanga, Renato Borghi e Johnny Massaro, além dos diretores Amir Haddad e Ary Coslov.

Serviço
Atos – domingo, dia 24/3, às 20h30, na TV Brasil

Da Gerência de Comunicação Institucional
Empresa Brasil de Comunicação - EBC
Contato: (21) 2117-6471 / (21) 2117-6239

Criado em 22/03/2019 - 12:45 e atualizado em 22/03/2019 - 12:45

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