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Leviatã e as Lógicas da Força e da Punição - Yara Frateschi

A professora de ética da Unicamp fala sobre a obra de Thomas Hobbes

Yara FrateschiHá um discurso de ódio presente na sociedade brasileira desde as eleições presidenciais, é uma limitação da nossa democracia. A professora de ética da Unicamp Yara Frateschi fala sobre a obra de Thomas Hobbes, Leviatã.

Publicada em 1651, a obra aborda as paixões que nos guiam, que são o medo e a esperança. O Estado mobiliza esses sentimentos pela lei e pelo controle, já que o indivíduo não é universalista – ou seja, não reconhece o direito do outro e ignora o princípio da reciprocidade. Para Hobbes, precisamos do estado porque somos incapazes de regular a nós mesmos. Cabe ao estado – o Leviatã – criar regras e punir.

De acordo com essa lógica, se alguma coisa nos causa bem-estar, temos desejo por essa coisa ou essa pessoa. A tendência, então, é nos aproximar. O ódio, por sua vez, é o inverso disso tudo. A pluralidade, para Hobbes, é problemática, por isso ele defende um estado controlador. Não contava, porém, que as pessoas fossem capazes de desenvolver as noções de altruísmo e solidariedade. Por isso a ideia do estado repressor não nos diz mais respeito, defendeu a professora. O ódio à política é preocupante e negativo, ele desacredita a ideia de que nossa luta é política e pelas instituições.