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Do fogo à vida

Edição aborda a maior queimada da história da Chapada dos Veadeiros

Caminhos da Reportagem

No AR em 09/11/2017 - 22:00

Há menos de um mês o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, sofreu a maior queimada da sua história. Foram mais de 60 mil hectares atingidos, o equivalente a 28% da área da unidade de conservação. O incêndio mobilizou governos, corpo de bombeiros do estado de Goiás e do Distrito Federal, a Força Aérea Brasileira, brigadistas e centenas de voluntários do Brasil todo. O Caminhos da Reportagem desta semana vai mostrar as possíveis causas e as ações de combate ao fogo e como a mobilização de moradores, turistas e voluntários foi fundamental para que a área atingida não fosse maior.

Maior incêndio registrado no bioma cerrado
Maior incêndio registrado no bioma cerrado - Divulgação

Um dos biomas mais antigos e ameaçados do planeta, o cerrado está acostumado a lidar com o fogo, que faz parte do seu processo de renovação. O doutor em botânica Abel Soares explica que “a vegetação savânica, que é essa vegetação de cerrado que a gente conhece, historicamente, vem sofrendo com o fogo. Então, é um processo natural do cerrado, a ocorrência do fogo. Há milhares de anos, ele era ocasionado por efeitos naturais, relâmpagos, grandes quantidades de matéria orgânica no solo. Hoje em dia a gente pode relacionar o fogo aos fatores humanos, que são as queimadas provocadas pelos fazendeiros, um pitoco de cigarro jogado na vegetação”.

“A gente pode afirmar com 100% de certeza que esse fogo teve origem humana. Porque o fator de ignição são os raios. E quando esse incêndio teve início, o céu estava azul, não tinha nuvens, nem pra chuva, nem pra raios. Então, foi humana”, afirma o gestor do Parque Nacional, Fernando Tatagiba.

A investigação das origens do incêndio está sob a responsabilidade da Polícia Federal, que ainda não se manifestou. O Ministério Público Federal também abriu inquérito para descobrir se o fogo foi ateado intencionalmente ou não.

Produtora rural Ana Solange perdeu boa parte da sua propriedade
Produtora rural Ana Solange perdeu boa parte da sua propriedade - Divulgação

Se, de um lado, a ação do homem pode ter sido responsável pela destruição, por outro, foi fundamental para que o fogo não avançasse. Centenas de voluntários foram para a Chapada dos Veadeiros auxiliar o trabalho dos brigadistas e dos bombeiros. Moradores se mobilizaram e transformaram suas casas em pontos de apoio, recebimento de suprimentos e distribuição de alimentos. “A gente foi se organizando à medida da demanda. A gente montou uma equipe de cozinha, uma das casas virou estoque, todas as geladeiras viraram estoque”, conta Silvia Hennel, idealizadora do grupo Rede contra Fogo e moradora da Chapada.

Além da ação dos voluntários, esta edição mostra como a vida dos moradores do entorno do Parque foi afetada pelo fogo, a discussão em torno do aumento da área de conservação e as possibilidades de recuperação do cerrado, bioma conhecido como “berço das águas”. 

Ficha técnica

Reportagem: Iara Balduino
Imagens: Rogerio Verçoza
Auxílio técnico: Dailton Matos
Produção: Beatriz Abreu
Edição de texto: Carlos Molinari e Francislene de Paula
Edição de imagem e finalização: André Eustáquio e Henrique Correa
Arte: Julia Costa

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