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Aumenta número de mulheres que atravessam oceanos para pedir abrigo

Caminhos da Reportagem

No AR em 29/03/2018 - 21:45

Elas não precisam falar nada para sabermos que os turbantes, os vestidos super coloridos ou os véus discretos que cobrem o pescoço não são daqui. A cor da pele também é diferente, seja a de mulheres quem vêm do Congo ou de Duma. São mais de 80 nacionalidades, a maioria da África, Oriente Médio e Haiti. 

Até 2012, a Cáritas, que atende refugiados há 40 anos em São Paulo e no Rio, recebia no máximo 10% de mulheres solicitantes de refúgio. Nos últimos cinco anos, o cenário mudou: mais refugiadas chegam sozinhas ou com crianças, sem os companheiros, sem a família. Em 2017, houve um aumento de 34% em relação aos últimos cinco anos. Entre elas, as grávidas também chamam a atenção. Preferem ter o filho fora do país que está em guerra ou numa disputa política entre tribos e salvar a própria vida.

"Um dia fui chamada de macaca por uma brasileira grávida que estava aqui comigo e meu bebê no Amparo Maternal. As outras moças disseram que ela não podia tratar ninguém assim. Foi a primeira vez que senti racismo por ser negra", M., refugiada angolana
"Um dia fui chamada de macaca por uma brasileira grávida que estava aqui comigo e meu bebê no Amparo Maternal. As outras moças disseram que ela não podia tratar ninguém assim. Foi a primeira vez que senti racismo por ser negra", M., refugiada angolana - Divulgação

No Amparo Maternal, a enfermeira obstetra comemora tanta diversidade de cultura e sotaque: “Na hora do trabalho do parto, alguma coisa acontece que a gente se entende, elas cantam, emitem sons como se fossem uma oração de agradecimento”, diz Karena Castro, emocionada.

Este Caminhos da Reportagem mostra ainda que nem tudo é alegria. No depoimento de Price (Uganda), Salsabil (Síria) Rawa (Palestina), Fatima (Senegal), Roch (Haiti), E. (Congo) e duas refugiadas de Angola, é possível ter uma ideia do que significa deixar a vida como se conhecia, sem olhar para trás.

"O mais difícil aqui foi a língua. Ninguém falava inglês e a gente não tinha internet pra conversar com a família na Síria", Salsabil Matouk, refugiada síria
"O mais difícil aqui foi a língua. Ninguém falava inglês e a gente não tinha internet pra conversar com a família na Síria", Salsabil Matouk, refugiada síria - Divulgação


Ficha técnica

Reportagem: Bianca Vasconcellos
Produção: Aline Beckstein, Paula Abritta, Thaís Rosa e Henrique Cruz (estagiário)
Imagens: Cadu Pinotti, Gilmar Vaz, Jefferson Pastori e João Marcos Barboza
Auxílio técnico: Caio Araújo, Daniel Teixeira, Eduardo Domingues, Ivan Meira, Leandro Oliveira e Maurício Aurélio
Videografismo: Lucas Souza Pinto
Edição de imagens: Maikon Matuyama, Rodrigo Botosso e Rodger Kenzo
Apoio – edição de imagens: Caio Cardenuto
Finalização de imagens: Maikon Matuyama 
Roteiro e direção: Bianca Vasconcellos

 

Tags:  refugiadas

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