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Hussein Kalout, secretário Especial de Assuntos Estratégicos

Cientista político fala sobre globalização e relações internacionais

Conversa com Roseann Kennedy

No AR em 28/08/2017 - 21:30

Cientista político, especialista em política internacional e Oriente Médio e primeiro latino-americano a integrar o Advisory Board da Harvard International Review para o exercício de mandato vitalício. Hussein Kalout assumiu, em fevereiro deste ano, a Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Nesta Conversa com Roseann Kennedy, na TV Brasil, ele aponta os eixos para que o Brasil possa se lançar ao futuro para competir num mundo globalizado. Também lamenta o crescimento da islamofobia no país e fala como se sentiu ao ser vítima de preconceito.

Na última semana, em missão oficial, o secretário foi impedido de embarcar em um voo para os Estados Unidos. Depois de passar por todas as inspeções de segurança, ele foi abordado já na entrada do avião para ser submetido a nova vistoria especial e desistiu de viajar para não causar um constrangimento diplomático.

“Como todas as vezes que eu fui aos EUA eu fui parado na imigração e levado para as salas de interrogatório eu imaginei que isso ia acontecer de novo. Só que desta vez como autoridade de Estado indo desempenhar uma missão oficial”, explicou.

O episódio causou constrangimento ao governo brasileiro e levou a embaixada dos EUA a pedir desculpas pelo ocorrido. Para Hussein, o caso está superado.

Roseann Kennedy conversa com Hussein Kalout
Roseann Kennedy conversa com Hussein Kalout - reprodução

Com o olhar voltado para o Brasil, ele aponta quais devem ser as estratégias para o país se lançar ao futuro para competir num mundo globalizado. “O primeiro pilar é redefinir o modelo de inserção do Brasil no mundo. Segundo, pensar num projeto que pudesse focar no esquema de defesa e segurança. E um terceiro pilar, focado numa maior abertura econômica, comercial que pudesse tornar o Brasil mais produtivo e competitivo e pudesse permitir ao Brasil dar um salto tecnológico”.

Para ele, um dos principais desafios que o Brasil vai enfrentar no futuro é a qualificação de seu conhecimento. “É o conhecimento que permite que você mude de estatura e de fato adentre o nível dos países desenvolvidos. Isso passa fundamentalmente pela educação”. Ponto básico inclusive para diminuir as assimetrias sociais.

Hussein Kalout também analisa que o país precisa voltar a investir em defesa e segurança. Para ele, havia uma percepção equivocada da sociedade e das instituições de que para haver mais democracia era necessário enfraquecer o aparato das forças armadas e da inteligência. “É uma ideia totalmente falsa. Todas as grandes potências do mundo as mais desenvolvidas, elas tem um poder militar, uma capacidade de inteligência, uma capacidade de políticas de segurança elevadas”, avalia.

Nesta entrevista, ele fala ainda das relações do Brasil com a Venezuela e ao comentar a situação vivida pelo país vizinho, o secretário mantém um tom apaziguador. “Sempre o Brasil se dispôs a ajudar o povo venezuelano. Esta é uma das marcas tradicionais do Brasil de ser solidário com os seus vizinhos”, concluiu.

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