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JR Duran e a arte de produzir imagens memoráveis

“Mesmo nas fotos de nus, eu não penso no corpo, penso no momento”, diz

Conversa com Roseann Kennedy

No AR em 21/08/2017 - 21:30

Um dos mais importantes nomes da fotografia no país, J.R. Duran é o entrevistado desta Conversa com Roseann Kennedy. Ele chegou a ser chamado de “mago das lentes” e ficou famoso pelos seus ensaios de nus artísticos, retratos e publicidade. Com forte sotaque catalão, que mantém mesmo depois de décadas no Brasil, Duran fala sobre a arte de produzir imagens memoráveis e confessa que, na era dos smartphones, não faz selfies. Ele é taxativo quanto a este tipo de foto: “Nada!”.

Em relação ao acesso e à democratização da fotografia, avalia: “O fato de todo mundo poder fotografar com o celular não muda nada, porque as pessoas fazem sem pensar”. E compara: “É a mesma coisa que a época em que não existiam canetas... Então a 'Bic' inventou a caneta Bic e isso não quis dizer que todo mundo virou escritor. A única coisa positiva que eu acho de tudo isso é que as pessoas vão entender que fazer uma boa foto não é tão fácil quanto parece”.

Roseann Kennedy entrevista JR Duran
Roseann Kennedy entrevista JR Duran - Divulgação

Duran já realizou incontáveis ensaios de nudez e capas de revista com os maiores símbolos sexuais do país, mas diz que gosta mesmo é de fotografar pessoas. “Mesmo nas fotos de nus, eu não penso no corpo, eu penso no momento, no 'timing' e na veracidade da fotografia”. Ele defende que as fotos sejam autênticas e naturais, que passem a sensação de que aconteceram por acaso.

Acerca do tratamento e do retoque das imagens, o fotógrafo avalia que, em publicidade, tudo é permitido, já que as pessoas mudam céus e fazem o que querem. No entanto, ele conta que em seu trabalho evita a manipulação digital. “Na fotografia que eu faço, normalmente, o que eu procuro é não ter tratamento de imagem nenhum”.

JR Duran diz que o exagero no tratamento de fotos é um desastre
JR Duran diz que o exagero no tratamento de fotos é um desastre - Divulgação

No bate-papo, JR Duran também admite que já rejeitou fotografar uma pessoa, por avaliar que não conseguiria fazer um bom trabalho.

Além de fotógrafo, Duran é autor de vários livros, entre eles "Cadernos etíopes", "Cidades sem sombras', "Cadernos de viagem" e o romance "Lisboa". Fotografia e a literatura, assim, são suas artes preferidas.

“A fotografia é uma memória estática. Quando você pensa numa foto, você lembra dessa foto, desse momento, mas normalmente não se lembra dele em movimento. E quando você lê uma passagem de um livro, a memória é fluída, a memória flutua e se amplia muito mais. Então eu acho que o poder de atiçar a memória é muito maior na literatura do que na fotografia”.

Duran revela que outra grande paixão é a Revista Nacional, seu mais inovador projeto gráfico, na qual fotografa, escreve e edita. Com duas edições anuais, a revista é distribuída para um público seleto de personalidades do universo fashion e cultural, com aposta na sensação tátil. “Eu sempre achei que a revista deveria ser um jardim secreto. Um jardim secreto de tinta e papel”.

Perfeccionista, Duran sempre busca a superação em suas produções. “Eu procuro uma perfeição. Eu procuro uma qualidade de fotografia que, por mais interessante que eu a tenha feito ou que eu goste, eu vou querer sempre tentar aprimorar. É que nem jogo de futebol... Tanto faz o último jogo, o importante é o próximo”. Ele conclui com simplicidade e bom humor: “O segredo da boa fotografia é muito simples: é só não mostrar foto ruim”.

Tags:  JR Duran

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