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Antonio Calloni comenta participação no filme sobre a Lava Jato

“A função política mais nobre é o nosso trabalho”, diz o ator

Conversa com Roseann Kennedy

No AR em 11/09/2017 - 21:30

O ator Antonio Calloni é o entrevistado desta edição do Conversa com Roseann Kennedy. Ator em grandes produções de teatro, cinema e televisão, Antonio também é escritor e possui vários livros publicados. Neste bate-papo ele fala sobre a sua carreira, a paixão pela pescaria e também sobre o mais recente trabalho, o filme “Polícia Federal - A Lei é Para Todos”, que estreou no cinema na última semana. Trata-se de uma trilogia que mostra os bastidores da operação Lava Jato sob o ponto de vista da Polícia Federal. Na trama, que mescla elementos de ficção com fatos e personagens reais, Antonio Calloni interpreta um delegado que é um dos principais investigadores do esquema de corrupção.

Antonio Calloni e Roseann Kennedy
Antonio Calloni e Roseann Kennedy - Divulgação

Em tempos onde o noticiário político do país é um dos mais movimentados, o filme tem o grande desafio de contar uma história que está longe de terminar. Calloni analisa que o componente político é inevitável, porque o assunto é efervescente e não há como evitar o debate político em torno de questões que mexem tanto com a vida dos brasileiros. “A gente nem quer evitar essa discussão política, porque seria até ingenuidade da nossa parte. Mas a gente só espera que o debate seja bom, que o debate seja saudável.”

Para o ator, o filme pode estimular o debate de maneira inteligente. “Por um lado, é uma coisa triste de ver as coisas que estão acontecendo. E por outro lado é legal porque o povo está começando a falar. A falar, a debater. Eu ainda acho que o nosso debate, muitas vezes, é um pouco atabalhoado, um pouco infantil. Mas isso é normal, porque a gente ficou muitos anos em silêncio por causa da ditadura. Então, a gente tá aprendendo a debater”.

Calloni também diz que o filme não tenta impor nenhuma verdade absoluta ao espectador, mas acredita que a obra tem mérito ao relembrar de forma didática o surgimento da Lava Jato. “As pessoas já se esqueceram, né? Porque é tanta coisa”... E relembra como a apreensão de um simples caminhão foi capaz de desvendar todo um esquema de corrupção. “Um caminhão de palmito foi levando a um cara que lavava dinheiro e aí a coisa foi progredindo. Então tem isso no filme, que explica e relembra as pessoas do início e o desenvolvimento, os procedimentos técnicos pra chegar à autorização de uma escuta, investigação. Os bastidores são muito interessantes e muito bem explicados”.

Ator Antonio Calloni
Ator Antonio Calloni - Divulgação

Sobre o medo das críticas que a polarização política no país poderiam render ao seu personagem, o ator fala com tranquilidade. “Eu conduzo a minha carreira de maneira muito ética, muito clara. Eu nunca fui filiado a nenhum partido e faço questão de não ser. E as pessoas me conhecem um pouco”.

Por fim, Calloni faz um desabafo: “Corrupção mata, é um crime hediondo. Não é brincadeira não... A gente tá sentindo isso no Rio de Janeiro, no Brasil de um modo geral”. Mas revela que o combate a este tipo de comportamento exige um envolvimento maior dos brasileiros. E conclui: “A gente é capaz de dar a volta por cima, através do nosso trabalho, principalmente. Eu acho que a função política mais nobre é o nosso trabalho”.

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