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Arte e ocupação do espaço público com Roger de Renor

Produtor cultural é um dos principais agitadores do Recife

Conversa com Roseann Kennedy

No AR em 27/11/2017 - 21:30

Ele tem uma importante trajetória na cena cultural brasileira e várias décadas dedicadas às artes. O pernambucano Roger de Renor já trabalhou em gravadora, foi dançarino do balé popular do Recife e teve seu nome imortalizado na música “Macô”, de Chico Science. Roger também foi dono do bar “Soparia”, onde se encontravam grandes nomes do movimento manguebeat, como Chico Science & Nação Zumbi, Mundo Livre S/A e Mestre Ambrósio. O movimento tornou-se referência na descentralização da produção cultural no pais.

Produtor cultural Roger de Renor conversa com Roseann Kennedy

Produtor cultural Roger de Renor conversa com Roseann Kennedy - Divulgação

Idealizador do programa “Som na Rural”, Roger transforma um modelo Ford antigo em veículo sonoro itinerante para levar música de todas as vertentes ao público nas ruas. O programa, que já teve temporadas na TV Brasil, está em nova fase.

“A gente tá preparando uma nova temporada pra continuar essa ponte e essa missão da TV pública: mostrar a diversidade da música do Brasil. Acho que a maior vontade do brasileiro é se descobrir como país, como identidade dentro das suas diferenças”.

Roger é um defensor da ocupação dos espaços públicos e acredita que as ruas devem ser um espaço comum, democrático, local de encontros e relações e também um ambiente para as manifestações artísticas. Nesta conversa ele desmistifica a insegurança que existe em relação ao espaço urbano. “As ruas são seguras, a gente observa isso. A gente faz parte desse movimento que mostra isso para as pessoas na prática. As ruas são inseguras quando elas estão desertas. Se a gente está nas ruas a gente é a nossa segurança. Não é a polícia que vai fazer a segurança, são as pessoas sendo a maioria nas ruas”.

“As pessoas querem seus espaços públicos para as suas manifestações culturais”, diz Roger de Renoir

“As pessoas querem seus espaços públicos para as suas manifestações culturais”, diz Roger de Renor

O produtor cultural também faz duras críticas ao se referir aos espaços “artificiais” como sinônimos de seguridade. “As vezes o sistema quer mostrar que o barato é o shopping center porque é seguro. Então a gente ouve absurdos... Edifícios que vendem apartamentos que tem playground, tem churrasqueira, tem academia e tem passagem exclusiva para o shopping. Então o 'Som na Rural' trabalha isso. Outros lugares também trabalham independente de ser um carro ou não, trabalham movimentos que chamam as pessoas para fazerem uso dos lugares.”

Por fim, Roger defende que a cidade seja um local para encontros e trocas entre os grupos sociais. Um espaço de convívio e compartilhamento artístico. “As pessoas querem seus espaços públicos para as suas manifestações culturais com todas as suas influências, com todas as suas invenções e reinvenções. E isso é muito bonito”.
 

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