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Atriz angolana Heloisa Jorge

A artista chegou no Brasil como refugiada, fugindo da guerra civil de

Nesta Conversa com Roseann Kennedy o telespectador vai conhecer um pouco mais da atriz que chegou no Brasil como refugiada, fugindo da guerra civil de Angola e agora desponta como revelação no teatro e na televisão nestes dois países.

Protagonista da novela angolana que estreia na TV Brasil, no próximo dia 25 de maio, a atriz Heloisa Jorge é a convidada desta Conversa com Roseann Kennedy. No bate-papo, a atriz convida os brasileiros a conhecerem a realidade do continente africano, dos países em guerra e a abrir os olhos para enfrentar preconceitos. O nome da novela angolana Jikulumessu significa "abre o olho" e provocou boas discussões nos países onde foi exibida, Angola e Portugal. Na trama, Heloísa fará o papel de Djamila Pereira, uma jovem que sonha em ser uma cantora reconhecida.

Heloisa Jorge, que também interpretou a empresária angolana Laura e contracenou com o ator Reinaldo Gianecchini em “A lei do Amor”, da TV Globo, falou sobre a restrição dos papéis para os artistas negros na teledramaturgia brasileira. “Não é você fazer escravo, você fazer empregada, mas é você 'não fazer só isso'. E na televisão brasileira a gente sabe que o ator e a atriz negra estão condicionados a esses papéis. Porque eu acho que quem escreve, quem produz elenco, não imagina que o ator e a atriz negra possa fazer a advogada, a engenheira, a executiva bem-sucedida como eu fiz agora... E a Laura era maravilhosa". Sobre este papel a atriz completa com orgulho: "As mensagens que eu recebia eram sempre muito positivas e principalmente de mulheres negras, onde elas falavam: 'você está nos representando'".

Heloisa, que veio para o Brasil como refugiada, relembra o episódio que marcou a sua história: "Foi uma das experiências mais tristes da minha vida porque eu não queria sair de Angola. Eu não vim porque eu quis. Eu não queria deixar a minha mãe. Eu não queria deixar os meus irmãos. Eu não queria deixar a minha família. E de alguma forma foi um rompimento”. E conclui com resiliência:  “Apesar de ter vivido num país em guerra, eu naturalizei aquilo, aquela era a minha realidade. E ao contrário do que se pensa, as pessoas têm uma vida mesmo com a guerra".

Hoje, Heloisa se reconhece como fruto de duas culturas: brasileira e angolana. Mas revela que ao transitar entre esses dois mundos já se deparou com situações de preconceito. Para ela, a população não está acostumada a ver pessoas negras na zona sul do Rio de Janeiro e conta que já chegou a ser confundida com empregada doméstica em seu próprio prédio.

Serena e ao mesmo tempo firme, ela demonstra atitude quando fala deste tema: “O brasileiro quando olha para alguém que vem do continente africano ele não humaniza essa pessoa. Eu falo isso com muita tranquilidade e não é crítica. Falo porque vivi". E quando o assunto é o seu país de origem, a atriz revela que já ouviu muitas coisas desagradáveis: "Eu era a africana e os colegas perguntavam: 'ah, você andava de elefante? Você andava de girafa? Lá tem prédio? Lá tem carro?' Na época eu achava que eram perguntas provocativas, mas não eram. Era um profundo desconhecimento do brasileiro pelo continente africano”.

A atriz tem paixão pelo teatro e está em cartaz com a peça "RACE" até o dia 31 de maio, em São Paulo no Teatro Viga.

Conversa com Roseann Kennedy vai ao ar segunda-feira, às 21h30, na TV Brasil.

 

 

 

 

 

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