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    Horácio de Mattos, do garimpo a último coronel do Brasil.

     

    "Para manter a liderança, o "coronel" sente a necessidade de se apresentar como campeão de melhoramentos locais, senão para contentar amigos, pelo menos para silenciar os adversários. E o prestígio político de que desfruta o habilita como advogado de interesses locais."

    Barbosa Lima Sobrinho em Prefácio à segunda edição de "Coronelismo, Enxada e Voto" de Victor Nunes Leal.




    Horácio Queirós de Mattos nasceu no interior da Bahia em Brotas de Macaúbas, Chapada Velha no ano de 1882. Sua família foi uma das primeiras a chegar na região a fim de explorar os diamantes e carbonatos que se tornaram escassos em Minas Gerais. O minério representava na República Velha não só o poderio econômico, mas também uma forma de poder supremo, de alcançar o título de coronel. Por essa razão, diversas terras eram centralizadas nas mãos dos coronéis, considerados protetores ou defensores do homem sem direito, o povo. Diante da morte de seu tio, Clementino Mattos, Horácio herdou o título de chefe patriarcal da família, as terras e vários inimigos como Militão Rodrigues Coelho. Diferentemente do modo violento com que muitos coronéis comandavam, Horácio de Mattos sempre procurava as vias legais de fazer justiça social, embora tivesse que optar pela luta armada ao lado de seus jagunços. A arma fundamental para o império de Horácio de Mattos, não era a força física, já que não detinha grande exército de jagunços, mas sim, a inteligência, com as estratégias.

    "Não humilhar ninguém, mas também nunca se deixar humilhar, por quem quer que seja;
    Não roubar jamais, sejam quais forem as circunstâncias, nem permitir que alguém roube e fique impune;
    Ser leal com os parentes e amigos, protegendo-os sempre;
    Ser leal com os inimigos, respeitando-os em tempos de paz e enfrentando-os em tempos de guerra;
    Não provocar, nem agredir, mas se for ofendido, colocar a honra acima de tudo e reagir, porque de nada adianta viver sem a dignidade."

    Código de honra da família Mattos.

     
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    Elis Regina, a dama da MPB.

     

    "Decifra-me ou devoro-te? Não vai me devorar,


    nem me decifrar nunca. Eu sou a esfinge, e daí?


    Nesse narcisismo generalizado, me dá licença de eu ser narciso um pouquinho comigo mesma? De fazer comigo o que bem entender, ser amiga de quem quiser, de levar para minha casa as pessoas de quem eu gosto? Bem poucas pessoas vão conhecer a minha casa. Sou a Elis Regina Carvalho Costa, que poucas pessoas vão morrer conhecendo."



    Nascida em Porto Alegre, em 1945, Elis Regina começou a cantar aos onze anos de idade em um programa de rádio para crianças, chamado O Clube do Guri, na Rádio Farroupilha. Da primeira vez, aos sete anos, se recusou a cantar, ficou calada, o que surpreendeu a família, visto que cantava todos os domingos na casa de sua avó materna. Cinco anos se passaram, depois de aprender a tocar piano, tomou coragem e pediu uma nova chance, dessa vez causou sensação. A partir daí, tudo ocorreu de forma meteórica em sua carreira e em sua vida, desde o primeiro contrato em 1960 com a Rádio Gaúcha até a precoce morte, aos 36 anos em 1982. Dramática, corajosa, explosiva e plural. Essas eram as principais características da jovem Elis. Suas músicas expressavam muito bem a pessoa que ela era, impulsiva, instável, como se fosse um arrastão. Essa instabilidade permitia com que seu público nunca esperasse um comportamento linear, muito pelo contrário, cada show, cada disco eram surpresas no cenário musical brasileiro. Uma vez, a cantora afirmou: "Entre a parede e a espada, me atiro contra a espada", portanto se jogava na imensidão do viver, destemida e obstinadamente.




    "Há quem fale


    Que a vida da gente


    é um nada no mundo


    É uma gota, é um tempo


    Que nem dá um segundo..."


    O que é? O que é?


    Gonzaguinha






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    Brizola, o filho do povo.

    Itagiba de Moura Brizola nasceu em janeiro de 1922, no povoado de Cruzinha, atual cidade de Carazinho, no interior do Rio Grande do Sul. O nome Leonel foi adotado por ele na juventude, em homenagem ao líder gaúcho da Revolução de 1923, Leonel Rocha. Em quase 60 anos de vida política, Brizola foi Deputado Estadual, Prefeito, Deputado Federal e também o único político eleito democraticamente para governar dois estados diferentes, em mandatos distintos: Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Por duas vezes, tentou a Presidência da República, mas foi derrotado. Fundou o PDT, Partido Democrático Trabalhista, por onde estabeleceu alianças. Dois elementos caracterizavam o seu governo: a plena valorização do trabalho e da educação, o que auxiliou na formação da justiça social e da cidadania. Com os Centros Integrados de Educação Pública, os Cieps, o ensino público em tempo integral permitiu aos estudantes, melhores oportunidades e a garantia de direitos fundamentais. Carismático, considerado o "filho do povo" pelo antropólogo e escritor Darcy Ribeiro, Brizola expunha seus ideais por discursos que atraíam multidões, sua linha de retórica era constituída ao apelo econômico-social. Muitas vezes, suas críticas afrontavam os poderosos e incomodavam as elites, o que impediu a vitória ao cargo de Presidente. Aos 82 anos, deixou uma vida política rica, com muitos partidários e herdeiros políticos. Participam deste episódio, o historiador Daniel Aarão Reis, Roberto Saturnino Braga, ex-senador e um dos fundadores do PDT e o escritor Osvaldo Maneschy, cujo livro "A Legalidade e outros pensamentos conclusivos de Leonel Brizola" é uma afirmação de todos os ideais que compunham o brizolismo, narrados pelo próprio líder.


    Abaixo, o trecho do poema de Carlos Drummond de Andrade publicado no Caderno B, Jornal do Brasil, em 1980.


    "A política, vi as impurezas da política recobrindo sua pureza teórica. Ou o contrário.. Se ela é jogo, como pode ser pura... Se ela visa o bem geral, por que se nutre de combinações e até de fraudes.


    Vi os discursos..."


     

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    Tim Maia, o furacão musical.

    Sebastião Rodrigues Maia, ou Tim Maia, como é conhecido popularmente, nasceu no dia 28 de setembro de 1942, no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. Foi o último dos doze filhos de Maria Imaculada Maia e Altivo Rodrigues Maia. Com personalidade marcante e voz inigualável, Tim Maia foi um pioneiro ao trazer para a música brasileira, o estilo soul norte-americano, com a melodia emotiva, o improviso e as coreografias, caracterizadas pelos rodopios e bater palmas. Também estão presentes em sua obra, o funk e o groove (batida) que por terem compassos bem marcados, embalam o ouvinte e o levam para a pista de dança. Por essa razão, as músicas de Tim são democráticas, unem a sociedade, onde não há preconceito ou discriminação. É por assim dizer, um cantor de multidões, em que a essência de suas músicas são histórias de amor, histórias do público, logo histórias de Tim. Seu legado influenciou várias gerações de bandas e músicos como Lulu Santos, Titãs, Marisa Monte e o próprio sobrinho Ed Motta. Blocos de carnaval também buscaram inspirações em Tim, como o Monobloco, o Estratégia e Orquestra Voadora, cujos repertórios incluem sucessos como "Do Leme ao Pontal", "Descobridor dos Sete Mares", "Gostava Tanto de Você", "Imunização Racional (Que Beleza)", entre outros. No De Lá Pra Cá, vamos celebrar os 70 anos de nascimento do cantor e descobrir sua trajetória ao longo de 40 anos de carreira, por onde compôs mais de 130 canções e gravou 37 discos. Participam o jornalista e biógrafo Nelson Motta, o ator Tiago Abravanel e os músicos Cláudio Mazza e Jamil Joanes da banda Vitória Régia. O episódio Tim Maia você confere no domingo, 04/03 às 18h. Com reapresentação em 09/03 às 20h30.

     



     

     

     

     

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    Produzindo o episódio sobre Peabiru



    O próximo programa De Lá Pra Cá traz um tema pouco falado na história do nosso país: uma trilha utilizada por nossos índios, chamada Caminho de Peabiru. Hoje os pesquisadores ainda desvendam os mistérios dessa longa estrada que deixou poucos vestígios. Ela passava pelas terras que hoje fazem parte do Brasil, do Paraguai, da Bolívia e do Peru; cortando matas, rios, pântanos e montanhas, num percurso de aproximadamente cinco mil quilômetros.

    Isso tudo faz parte da história do nosso continente de antes da chegada de Cristovão Colombo e de Pedro Álvares Cabral. O primeiro homem branco a registrar a existência dessa trilha foi o jesuíta Pedro Lozano, no início do século 17, no livro História da conquista do Paraguai, Rio da Prata e Tucumán. Os estudiosos se dividem em relação às origens e utilidades do Caminho de Peabiru. Sendo um tema tão complexo e rico, a equipe fez uma viagem por várias cidades do Paraná e Santa Catarina, para conhecer grandes pesquisadores do assunto e ver pessoalmente e claro, com o registro de nossas câmeras uma parte das terras por onde se passava esse caminho.

    Roteiro da Viagem

    Terça-feira, 25 de outubro, fomos para Florianópolis entrevistar Rosana Bond, autora de livros que contam a história do Caminho de Peabiru. Fomos recebidos com entusiasmo, já que esse tema abrange uma comunidade de amantes do Peabiru, felizes em participar e ansiosos pela exibição do programa. Na quarta, a equipe foi até o Beto Carreiro World para entrevistar Milton Franco, nosso convidado para outro episódio que sairá esse ano, homenageando Mussum. Na quinta, Igor Chmyz foi o convidado entrevistado em Floripa, contando sobre como foi descobrir, há mais de vinte anos, que existia um caminho indígena como esse no país. Depois de coletar os depoimentos, a equipe foi visitar Pitanga e Campina da Lagoa, que são algumas das cidades em que se passava o caminho e que hoje é alvo de pesquisas.

    Além dos entrevistados, outras pessoas contribuíram muito para nos guiar e fornecer informações e material de pesquisa nessa viagem, como a professora de Campo Mourão Sinclair Pozza, os pesquisadores Clemente, Elizeu, Roseli e todo o pessoal do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre o Caminho de Peabiru (NECAPECAM) e do Centro de Estudos Arqueológicos do Paraná (CEPA).

    De volta ao Rio de Janeiro também entrevistamos o antropólogo Mercio Pereira Gomes, autor do estudo "O Caminho Brasileiro para a Cidadania Indígena", do livro História da Cidadania; e o professor da UNI-Rio e Uerj José R. Bessa, autor do livro Aldeamentos Indígenas do Rio de Janeiro.

    O programa será exibido no dia 21/11 às 18h, com reapresentação no dia 02/12 às 20h30.

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    O De Lá Pra Cá das gravações



     
     Na última quinta-feira (22/09), Carlos Manga foi o entrevistado para o programa De Lá Pra Cá. O diretor, como sempre recebendo a equipe muito bem, conversou com nosso apresentador Ancelmo Gois sobre a época das chanchadas, a vida e os filmes de Mazzaropi, tão populares nas décadas de 60 e 70. O programa, em homenagem aos 30 anos da morte do ator comediante Amácio Mazzaropi, vai ao ar no dia 9 de outubro, às 18h. Manga frisou que o homenageado era um ator generoso e de grandes interpretações, como o personagem do interior Jeca Tatu.

    Carlos Manga, realizador de "O homem do Sputnik" (1958), dirigia comédias musicais da Atlântida com o ator Oscarito, de grande sucesso, logo antes da alavancada de carreira de Mazzaropi. Ele tem muitos anos de estrada dedicados à TV e ao cinema. "A entrevista fluiu com muito entusiasmo e interesse", conta Márcio Maia, assistente de produção do programa.