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Índios no Brasil

Série de documentários costurada como um road movie em cada episódio

DOC Brasil

No AR em 27/02/2018 - 05:30

O ativista cultural e militante reconhecido como embaixador dos povos afro-indígenas, Tiago Nagô, descendente de índio Cariri (Tingui-Botó) de Alagoas e de uma negra, sacerdotisa do Candomblé, seguirá em uma jornada de (re)descoberta, em diferentes nações indígenas existentes no Nordeste do Brasil. Partindo da cidade de Olinda, de onde saíram as primeiras missões de catequese indígena no período Colonial, ele percorre 13 aldeias, de etnias diferentes, nos estados de Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia. Um mergulho no universo indígena em uma abordagem que vai além da socialmente histórica, focando também em um recorte antropossocial e socioecológico, revelando os índios como são na contemporaneidade. Um retrato humanístico, poético e contemporâneo das diversas etnias que habitam o nordeste brasileiro.

Tiago Nagô parte numa viagem pelo Nordeste na série Índios no Brasil
Tiago Nagô parte numa viagem pelo Nordeste na série Índios no Brasil - Reprodução/Urso Filmes

Episódio 1 - Tingui-Botó
Tiago Nagô, ativista de direitos humanos e das causas afro-indígenas, está em Olinda, onde reside e conversa com historiadores e arqueólogos sobre a expedição que está prestes a começar. No dia seguinte, parte para a sua jornada, que vai ao encontro de 13 diferentes povos indígenas que habitam cinco estados do Nordeste do Brasil. Nesse programa encontra o seu pai, descendente de índia Cariri e parte para conhecer as lutas da etnia Tingui-Botó, no estado de Alagoas.

Episódio 2 - Kariri-Xocó
Nagô parte para conhecer o povo Kariri-Xocó, que habita as margens do Rio São Francisco, na cidade de Porto Real do Colégio, em Alagoas. Um povo que nasceu da fusão de dois povos e tem parte das suas terras homologadas, mas que, há mais de 30 anos, luta para conseguir a demarcação do restante de seu território original pelo poder público. Lá acompanha de perto a chegada da polícia e de negociadores, que levam um documento de reintegração de posse, que determina que os índios devem desocupar uma fazenda, que chamam IV Retomada do Povo Kariri-Xocó. Nagô faz amigos, vive a luta e seus desdobramentos.

Episódio 3 - Xocó
Nagô chega a Ilha de São Pedro, no estado de Sergipe, para conhecer a Aldeia Xocó, que habita a Ilha de São Pedro, no estado de Sergipe. O povo liderado pela Cacique Bá tem uma situação particular, como todas as suas terras homologadas e uma relação estreita com a religião católica, que se une com as próprias tradições religiosas dessa etnia. A íntima relação desses índios com o Rio São Francisco, que alertam para os perigos que estão correndo nos últimos anos com a morte do rio.

Episódio 4 - Xucuru-Kariri
Em Palmeira dos Índios, local onde se encontra o povo Xucuru-Kariri, espalhados em mais de dez aldeias, na região do Agreste Alagoano Nagô, conhece a Mata da Cafurna, preservada pelos índios e considerada um pulmão da região. Num encontro com as lideranças locais conversa sobre Maninha Xukuru, morta há mais de dez anos, militante indígena reconhecida internacionalmente, e constata que a sua luta pela demarcação das terras do seu povo e por uma vida mais integrada à natureza, incluindo a agricultura orgânica, ainda continua com força nos Xukuru Kariri.

Episódio 5 - Wassú Cocal
A expedição se despede dos povos do estado de Alagoas neste episódio, onde Nagô conhece o povo indígena Wassú Cocal, que habita a região da Zona da Mata. O protagonismo feminino, a luta pela educação indígena e formação, além do modo de vida e religiosidade desse povo são assuntos explorados por Nagô neste episódio. Os embates do povo Wassú Cocal com o poder público, que quer duplicar uma das principais rodovias do país, a BR 101, cortando suas terras, sem lhes compensar em nada também é foco do programa.

Episódio 6 - Potiguara
Neste episódio, Tiago Nagô vai ao encontro do único povo indígena reconhecido oficialmente no estado da Paraíba, e também o único que conseguiu resistir e continuar a habitar as margens do Oceano Atlântico, dentre os povos visitados nessa expedição. Os Potiguaras, que é o povo indígena mais numeroso do Nordeste do Brasil, mostram como vivem em harmonia com o mar e a natureza, nas dezenas de aldeias espalhadas pelos municípios de Rio Tinto, Marcação e Baía da Traição. O resgate do idioma original, o Tupi, nas escolas, tanto indígenas e não indígenas da região, também é foco de atenção do ativista.

Uma jornada de redescoberta em diferentes nações indígenas no Nordeste do Brasil
Uma jornada de redescoberta em diferentes nações indígenas no Nordeste do Brasil - Reprodução/Urso Filmes

Episódio 7 - Xucuru de Ororubá
Tiago Nagô volta ao estado de Pernambuco, na cidade de Pesqueira e vai conhecer o povo Xucuru de Ororubá. Recebido pelo Cacique Marcos, lá conhece o cotidiano dessa aldeia, além da história do Cacique Xicão, e sua luta pelos direitos do seu povo, que acabou covardemente assassinado. Vamos mostrar também a relação desse povo com a política da região.

Episódio 8 - Fulni-ô
Nagô chega a região de Águas Belas, em Pernambuco, para conhecer os Fulni-ô, um dos primeiros povos indígenas a serem reconhecidos no Brasil. E o único povo do Nordeste que é bilingue, que mantêm e falam a sua língua nativa, o Yathê. Na rádio Fulni-ô Nagô, constata que esta língua faz parte do cotidiano do povo, o programa em Yathêpe, escutado por todos na aldeia e ensinada na matriz curricular nas escolas das aldeias, sendo ponto fundamental em sua preservação cultural, que inclui além da educação indígena diferenciada e a forte religiosidade mantida através dos séculos.

Episódio 9 - Kapinawá
Neste episódio, a expedição chega ao Vale do Catimbau, no município de Buíque. Vamos acompanhar o cotidiano do povo Kapinawá e suas tradições, dando um destaque aos Torés realizados nas cavernas dos sítios arqueológicos do vale. As relações entre estado, religião, política, preservação da cultura e identidade dos índios também são investigados por Tiago Nagô, que evidencia a diferença da relação dos não índios e dos índios Kapinawás com a ecologia e a natureza.

Episódio 10 - Atikum
Nagô chega ao sertão de Pernambuco para conhecer o povo indígena Atikum, localizado nas cidades de Carnaubeira da Penha, Floresta e Salgueiro. Um povo que sente na pele as mazelas de viverem no semiárido, mas que ao mesmo tempo tem uma forte determinação de manter suas tradições, como os Torés um dos povos mais tradicionais do Nordeste que fazem uso da jurema, bebida sagrada indígena, tida como alucinógena. São apresentadas também as questões políticas internas nas mais de 20 aldeias do território Atikum, e o enfrentamento das problemáticas por meio da educação.

Episódio 11 - Tumbalalá
Atravessando o Rio São Francisco, na divisa entre Pernambuco e a Bahia, Nagô vai ao encontro dos Tumbalalá, descendentes de populações indígenas, que foram confinadas nas missões nessa região entre os séculos VII e IX. Lá descobre que esse povo, reconhecido como povo indígena só em 2001, ainda luta pelos seus direitos básicos, como o direito à terra, à educação e o modo de enfrentamento das questões de exclusão social impostas a este e a outros povos indígenas.

Episódio 12 - Pankakaru
Nagô chega na região do Sertão de Itaparica, para conhecer o povo Pankakaru. Lá encontra-se com os caciques e pajés do povo e percebe o grande protagonismo das mulheres em todas as áreas das lutas indígenas. Cacica Hilda, Elisa Pankararú, Carmem da Saúde e Dora Parteira conversam com Nagô - acompanhado do videasta Alexandre Pankaraú -, e mostram os avanços dos povos indígenas em áreas antes restritas aos não índios, embalados pelo canto das Mulheres Cantoras.

Episódio 13 - Kambiwá
Neste último episódio da série, Nagô chega em Ibimirim para conhecer o povo Kambiwá. Lá é recebido pelo cacique Zuca e a nação Kambuwá com uma festa que se realiza a cada semestre, conhecida como Praiá dos Professores, um encontro dos índios com seus antepassados representados pelos Praiás, que vestidos da cabeça aos pés com palhas da caroá representam fisicamente os encantados - índios que já morreram e voltam para guiar os vivos nas suas cerimônias religiosas. Nesse episódio, Nagô se reconhece no encontro de gerações que lutam para preservar sua cultura, subindo a Serra Negra, terra sagrada daquele povo.

Direção: Camilo Cavalcante e Adelina Pontual
Produção: Urso Filmes

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