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Trabalhar pra quem?

Dinheiro, realização profissional e a luta por um mundo melhor

DOC Especial

No AR em 13/09/2017 - 06:30

A série conta a história de jovens que são a primeira geração de universitários de suas famílias. Apesar do conflito entre o êxito pessoal e o desejo de transformar o mundo, eles optaram por não colocar o dinheiro acima de tudo. Essa escolha tem consequências e a série gira em torno do conflito entre querer ter uma vida mais confortável e não querer abrir mão dos ideiais de transformar o mundo em um lugar melhor. Eles são moradores de Heliópolis, bairro da periferia de São Paulo, que optaram por permanecer no bairro e trabalhar na comunidade onde vivem. Todos, diferente das gerações de seus pais que viveram outro momento com muito menos escolhas, encaram o trabalho muito mais do que uma necessidade.

Trabalhar pra quem mostra a história de jovens universitários
Trabalhar pra quem mostra a história de jovens universitários - Divulgação/Umana

Nínive e Raul
Depois de alguns anos trabalhando pelo bairro onde nasceu e cresceu, Nínive é diretora da maior associação de Heliópolis, uma das responsáveis por representar os jovens do bairro. Também auxilia pequenos empreendedores locais a melhorar seus negócios. Enquanto trabalha e faz faculdade de Publicidade, ela faz reuniões com o advogado à espera do fechamento do processo contra o hospital particular que foi responsável pela maior cicatriz da sua vida. Raul começou a vida profissional trabalhando como motoboy. Depois foi para uma gráfica até parar no telemarketing de um plano de saúde. De tanto repetir as mesmas frases, negando assistência médica, quase enlouqueceu. Mas um dia brigou e rompeu com o mercado formal. Seu filho tinha acabado de nascer, e ele foi atrás de seu sonho: trabalhar com prevenção à AIDS.

Lipão e Lucas
Lipão se formou como contador, casou-se, queria ser pai, mas trabalhava em uma multinacional que ficava há mais de duas horas da sua casa. Abriu mão do bom salário e optou em trabalhar em Heliópolis para ficar perto da família. De novo a vida se transformou: ele se separou. Hoje ele mora sozinho e lida com os vazios do espaço que hoje é só seu. Lucas morou a vida inteira na mesma casa. No início, a família morava no primeiro andar da casa. Hoje ele, os dois irmãos e os pais se dividem no térreo e no primeiro andar. O pai vai se aposentar e ele e a mãe estão de mudança para Bahia. Os pais vão. A casa fica para os filhos, que entram na vida adulta e tentam lidar com o vencimento das contas e com o desejo de trabalhar com o que gostam.

Cindyh e Igor
Cindyh tem 17 anos e está terminando a escola. Faz curso de cabelereira e está começando sua carreira como DJ. A mãe faxineira se orgulha da filha e conta que, quando Cindyh nasceu, ela não imaginava que a filha poderia escolher qual seria sua profissão. Cindyh olha para o futuro e se pergunta com desejo de saber se as perspectivas virarão realidade. Igor sempre morou na mesma casa em Heliópolis. Cresceu vendo a mãe se desdobrar para criar os três filhos, enquanto trabalhava como faxineira de um supermercado. Apesar do esforço da mãe, Igor não acreditava no futuro e achava a escola uma prisão. Das voltas que a vida dá Igor tem hoje 18 anos, se tornou educador de crianças do bairro, está começando sua licenciatura em música e irá lançar um novo disco com seu grupo de rap. Tem o desejo de fazer faculdade de engenharia para ter uma profissão de status, e não viver na corda bamba de quem vive de cultura e educação no Brasil.

Thays e Bruno
Thays está terminando a faculdade de Design, e dedica parte importante de seu tempo na criação de uma linha de bonecas voodoobone com traços carregados de história e simbolismo. Deixou o trabalho formal para se dedicar à sua área, mas ainda não conseguiu um estágio como designer, e já começa a reenviar o currículo para lojas onde trabalhou no passado e comércios do entorno de sua casa. Bruno é educador e todos ao se redor o reconhecem como uma referência. Ele vem dedicando os últimos anos de sua vida ao trabalho social, mas a instabilidade do setor pode obrigá-lo a buscar outra alternativa. Ele é quem banca as contas e o aluguel de casa, e vive o dilema de estar numa sociedade capitalista e desigual e o desejo de ter uma vida mais confortável.

Fernanda e Reginaldo
Fernanda tem 18 anos e, quando criança, acreditava que as perspectivas para o seu futuro eram baixas. Cresceu, assistindo o vaivém na ‘boca’ do lado da sua casa. Viu seus amigos morrerem, e se culpava por não fazer nada por eles. A revolta com a desigualdade social a transformou em educadora de crianças em Heliópolis. Recentemente entrou no curso superior de Assistência Social e os planos para trabalhar com jovens infratores começa a virar realidade. Reginaldo tem 40 anos e é um sobrevivente da sua geração. De todos os meninos da sua classe de escola ele é o único que ainda está vivo. Quando era adolescente, achava ‘normal’ as pessoas morrerem. Não tinha muitas perspectivas, mas a música era sua religião. Virou DJ e começou a tocar na rádio do bairro. Ali descobriu que o microfone podia ser uma arma contra o que a vida tinha de pior. Reginaldo não transformou apenas sua vida. Se viu com a responsabilidade de fazer algo pela sua comunidade, e se transformou em uma liderança para os jovens de Heliópolis.

Direção: Mariana Oliva e Paula Szutan
Produção: Umana

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