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Visibilidade Trans: a realidade do mercado de trabalho para trans

Estação Plural mostra as dificuldades da população trans

As oportunidades em educação e trabalho para a comunidade trans esbarram, ainda nos dias de hoje, no preconceito e ignorância. Segundo dados da Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil (RedeTrans), 82% das mulheres transexuais e travestis abandonam o ensino médio entre os 14 e os 18 anos em função da discriminação na escola e da falta de apoio familiar. Sem opção, 90% acabam na prostituição. 

Para a ativista e programadora Daniela Andrade, "independente da sua bagagem profissional e escolaridade, você ter uma identidade de gênero divergente da maioria é prerrogativa para que empresas não contratem". Ela ainda aponta a necessidade de um vasto serviço de informação e conscientização a ser feito junto às empresas no que diz respeito a gênero e orientação sexual. "Há dúvidas bastante básicas, desde que banheiro a pessoa vai usar ou como será chamada. A gente precisa ir até as empresas e explicar em todos os setores, desde a recepção", diz.

Já surgem, no entanto, algumas iniciativas de destaque no mercado de trabalho. Em 2005, por exemplo, a IBM lançou no Brasil o Comitê de Diversidade, trazendo vários avanços na política de inclusão, respeito e incentivo à população LGBT. Adriana Ferreira, coordenadora de Diversidade da instituição, conta que hoje várias empresas e fornecedores procuram a IBM para saber do projeto e como se beneficiar positivamente de falar sobre a cultura LGBT nas corporações. "O valor que eu vejo nisso, como gestora, é que estou influenciando meu cliente a criar uma cultura inclusiva dentro do ambiente de trabalho dele", avalia.

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Em março de 2013 foi criado o Fórum de Empresas e Direitos LGBT, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), com vistas a reunir empresas com o compromisso de promover os direitos humanos das pessoas LGBT's no ambiente de trabalho. "Depois que eu pude falar sobre minha orientação sexual de uma forma tranquila, isso fez muita diferença para mim. Meu engajamento com a empresa aumentou", desabafa Adriana. 

O cientista político Marcelo Caetano também conta sobre a emoção e o orgulho de ter conseguido concluir sua graduação na Universidade de Brasília. Ele lembra que foi alvo de preconceito na instituição e que um professor já se recusou a usar seu nome social. Marcelo foi a primeira pessoa trans e negra a se formar na UnB. "Estar na universidade não é simples nem fácil. Infelizmente ainda é para poucos", conclui. 

 

Transerviços

A analista e programadora Daniela Andrade é uma das criadoras do Transerviços, um site para pessoas trans e travestis autônomos anunciarem seus serviços. A intenção é ajudar a abrir portas do mercado de trabalho para essa população e superar o tabu da identidade de gênero durante o recrutamento de novos funcionários. "Travestis e transexuais podem ser pessoas tão ou mais talentosas quanto qualquer outra pessoa", destaca Daniela.

Criado em 24/01/2017 - 11:55 e atualizado em 24/01/2017 - 12:00 Por Davi de Castro

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