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Propaganda e Repressão - episódio 9

Rio de Janeiro, 1942

Histórias do Brasil

No AR em 15/11/2012 - 21:30

Propaganda e repressão, Rio de Janeiro, 1942

Em uma mesa do Bar Amarelinho, na Cinelândia, alguns jornalistas conversam sobre Getúlio Vargas, o Estado Novo, e a censura aos jornais onde trabalham. Um dos jornalistas critica a propaganda do Estado Novo, dizendo que "os energúmenos do Departamento de Imprensa e Propaganda deviam pelo menos aprender com os russos a fazer filmes sobre as massas". Segundo ele, "O Encouraçado Potemkin" é um exemplo perfeito de filme ideológico.

Entre os jornalistas está o jovem Alves, que quando tenta fazer um comentário é interrompido por seus colegas mais experientes, sempre com histórias, casos ou idéias mais interessantes. Quando os jornalistas ficam mais exaltados, alguém logo aponta para a direção do morro de Santo Antônio e menciona a temida Polícia Especial de Filinto Müller. É a deixa para os ânimos se acalmarem.

Um grupo de homens mal encarados chega ao bar e ocupa uma mesa próxima à dos jornalistas. Os homens comentam empolgados o último discurso de Hitler e falam mal dos comunistas. Imediatamente, os jornalistas mudam de assunto.

No dia seguinte, no Palácio Tiradentes, Alves é recebido por um alto funcionário do DIP. Alves foi indicado para um cargo no Departamento a pedido de seu pai, importante empresário e simpatizante do Estado Novo, que está cansado de ver seu filho metido com os jornalistas de esquerda. Em seu primeiro dia de trabalho no DIP, Alves participa de uma reunião com os chefes das cinco divisões: Divulgação, Rádio-difusão, Cinema e Teatro, Turismo e Imprensa.

Na reunião são discutidas políticas e estratégias de cada divisão. São abordados assuntos como: censura a jornais, filmes e peças de teatro; a mudança do Dia do Trabalhador para Dia do Trabalho, com o objetivo de tirar o foco do trabalhador e de suas reivindicações e fazer do dia uma festa do Estado Novo; a programação da Hora do Brasil; a produção de cartilhas escolares.

O chefe da divisão de Cinema e Teatro conta, empolgado, como seus técnicos fizeram uma montagem juntando uma tomada de Getúlio Vargas dando uma tacada de golfe com uma jogada feita por um jogador profissional. Segundo o chefe da divisão, quem vê a montagem tem certeza de que Vargas, péssimo jogador de golfe, é um verdadeiro campeão.

Alves acompanha a reunião calado. Até que um cine-jornal sobre a festa de Primeiro de Maio no Estádio de São Januário é exibido. Os chefes das divisões não ficam animados com o filme e criticam sua eficiência. Discutem, exaustivamente, qual seria o problema. Alves pede a palavra e todos o escutam. Ele diz acreditar que o problema está na maneira como os espectadores foram filmados. Alves comenta que os russos sabem filmar as massas com eficiência. Segundo ele, faltam ao filme do DIP alguns closes de espectadores no estádio, para que o público do filme tenha com quem se identificar. Como exemplo do que está falando, Alves cita O Encouraçado Potemkin.

Inicialmente, os funcionários do DIP não gostam das referências comunistas de Alves, mas logo percebem que ele tem razão. O chefe do Departamento dá os parabéns a Alves e diz que ele terá um belo futuro no DIP. Mas Alves já não tem tanta certeza se realmente virá trabalhar no Departamento de Propaganda e Imprensa. Ainda mais quando, no fim da reunião, o chefe do departamento faz um inflamado discurso contra a democracia.

À noite, os jornalistas estão reunidos novamente no Amarelinho, discutindo o Governo Vargas. Alves está entre eles, e acredita que nada mudou em sua vida. Mas isso está longe de ser verdade.


 






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