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Rainer Cadete destaca a pauta social de seu novo filme

Para o ator, 'Carcereiros' vai além da estética e do entretenimento

Impressões

No AR em 02/12/2019 - 21:00

Ele é brasiliense e estreou nas telonas fazendo comédia. Com várias novelas no currículo, já subiu aos palcos e agora ganha as telas do país em sua mais recente atuação no filme ‘Carcereiros’. Rainer Cadete interpreta o Príncipe, chefe da facção de um presídio. Inspirado no livro de mesmo título de Drauzio Varella, o longa entrou em cartaz em todo o país no último dia 28 de novembro.

Em entrevista ao Impressões, o ator Rainer Cadete diz que ‘Carcereiros’ é um filme diferenciado por causa da quantidade de efeitos especiais. O ator acredita que a obra vai além da estética e também suscita um debate social. “Além de ser um filme de entretenimento, ele também joga luz para um lugar em que as pessoas não falam muito, não se preocupam muito, que está muito à margem da sociedade, que são os presídios do país. Eles estão em estados deploráveis e já foram feitos não para restaurar ninguém, não para reestabelecer, não para incluir ninguém na sociedade. Mas foram feitos como depósito humano mesmo”. E salienta: “Além de um entretenimento de alto nível, de muita ação e de muita bomba e confusão, também tem um fundo social, que eu acho importante para levantar um debate saudável”.

Em 'Carcereiros", Rainer Cadete interpreta o chefe do Quarto Comando no presídio
Em 'Carcereiros", Rainer Cadete interpreta o chefe do Quarto Comando no presídio - Divulgação/TV Brasil

O longa-metragem conta a história de um carcereiro, interpretado pelo ator Rodrigo Lombardi, que é avesso à violência e tenta garantir a paz no presídio. “O filme todo se passa numa noite dentro desse presídio. Uma noite que parece ser sem fim”, diz Rainer.  A chegada de um terrorista internacional culmina numa rebelião na penitenciária que já vivia o terror devido à rivalidade entre facções criminosas. Para Rainer, este é um cenário que não se restringe apenas às telas de cinema. “Acho que a sociedade que está ali reflete muito do que está fora. O carcereiro também fica enclausurado. Acho que tem muito a ver essa coisa do descaso, do que está à margem, não ter voz, desse depósito humano... Essas coisas para mim são bem fortes, mas refletem muito o que está acontecendo fora dos presídios também”.

Rainer não esconde a alegria de trabalhar com José Eduardo Belmonte, que esteve à frente de outra produção em 2014, o filme ‘Alemão’, maior sucesso comercial do diretor. O ator não imaginava que treze anos depois de seu encontro com o cineasta ele estaria em uma de suas produções. “Em 2006 eu assisti um filme do José Eduardo Belmonte, que é o nosso diretor, que também é daqui de Brasília, um filme chamado ‘A concepção’. Quando terminou eu fui até o Belmonte e falei: - Eu quero trabalhar com você”.

Para viver seu personagem no filme, o ator passou por um processo de imersão e de preparação: “Li o livro, assisti à série, vi o documentário e também fui à Papuda (Complexo Penitenciário do Distrito Federal), aqui em Brasília. A minha mãe é agente penitenciária, trabalha na Secretaria de Segurança”, conta Rainer. Mas relembra que um dos grandes desafios vividos por ele, no filme, foi com a maquiagem. “Eu fiquei com o corpo inteiro queimado. Quando eu terminei de me caracterizar e olhei no espelho meu deu até uma agonia”.

Katiuscia Neri entrevista o ator brasiliense Rainer Cadete
Katiuscia Neri entrevista o ator brasiliense Rainer Cadete - Divulgação/TV Brasil

Por fim, o ator, revela que está ansioso para voltar a atuar no teatro. A última peça feita por ele foi ‘O louco e a camisa’, comédia dramática do escritor argentino Nelson Valente que fala da loucura, hipocrisia e relações familiares. “Sempre que tem uma história bacana, um personagem transformador, independente da plataforma, eu quero fazer, me apaixono e vou de corpo e alma”, conclui Rainer.

Tags:  rainer cadete

Criado em 02/12/2019 - 10:35

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