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Atriz Heloisa Jorge, protagonista de Jikulumessu, nova novela da TV Brasil, bate-papo com Roseann Kennedy

Artista recorda a mudança de Angola para o Brasil, analisa o

Protagonista da novela angolana Jikulumessu, que estreia na TV Brasil, no próximo dia 25, a atriz Heloisa Jorge é a convidada do programa Conversa com Roseann Kennedy nesta segunda-feira (22), às 21h30.

 

No bate-papo, a atriz convida os brasileiros a conhecerem a realidade do continente africano, dos países em guerra e a abrir os olhos para enfrentar preconceitos. O nome da novela angolana Jikulumessu, significa "abre o olho" e provocou boas discussões nos países onde foi exibida: Angola e Portugal. Agora, vai ao ar de segunda a sexta, às 20h30, na TV Brasil.

 

Durante a entrevista, o telespectador vai conhecer um pouco mais da atriz que chegou no Brasil como refugiada, fugindo da guerra civil de Angola e agora desponta como revelação no teatro e na televisão nos dois países.

 

Na trama de Jikulumessu, Heloisa fará o papel de Djamila Pereira, uma jovem que sonha em ser uma cantora reconhecida, na segunda fase da novela. "Quando eu voltei para fazer a novela em 2014 foi uma das experiências mais fortes da minha vida. Eu me senti muito estrangeira em Angola. Mas foi lindo: um ano e meio contando com preparação e gravação. Um tempo para voltar às minhas raízes de uma maneira mais amadurecida" conta.

 

A respeito do país, ela reflete sobre algumas das mudanças que percebeu. "Teve um espaço de tempo muito grande. Encontrei uma Luanda reestruturada, as relações muito mais amadurecidas e cheia de estrangeiros. A gente saiu de uma guerra civil nos anos 2000, ou seja ontem, o país ainda está em processo de reconstrução", avalia.

 

Recentemente, Heloisa Jorge interpretou a empresária angolana Laura e contracenou com o ator Reinaldo Gianecchini em "A lei do Amor" da TV Globo. Enfática, ela aborda a restrição dos papéis para os artistas negros na teledramaturgia brasileira.

 

"Não é você fazer escravo, você fazer empregada, mas é você 'não fazer só isso'. E na televisão brasileira a gente sabe que o ator e a atriz negra estão condicionados a esses papéis. Porque eu acho que quem escreve, quem produz elenco não imagina que o ator e a atriz negra possa fazer a advogada, a engenheira, a executiva bem-sucedida como eu fiz agora... E a Laura era maravilhosa".

 

Sobre este papel a atriz completa com orgulho. "As mensagens que eu recebia eram sempre muito positivas e principalmente de mulheres negras que falavam: você está nos representando".

 

Heloisa que veio para o Brasil como refugiada e relembra o episódio que marcou a sua história. "Foi uma das experiências mais tristes da minha vida porque eu não queria sair de Angola. Eu não vim porque eu quis. Eu não queria deixar a minha mãe. Eu não queria deixar os meus irmãos. Eu não queria deixar a minha família. E de alguma forma foi um rompimento".

 

Ao refletir sobre esse momento na entrevista para Roseann Kennedy, ela conclui com resiliência. "Apesar de ter vivido num país em guerra, eu naturalizei aquilo, aquela era a minha realidade. E ao contrário do que as pessoas pensam de um país que está em guerra, as pessoas têm uma vida mesmo com a guerra".

 

Hoje, Heloisa se reconhece como fruto de duas culturas: brasileira e angolana. Mas revela que ao transitar entre esses dois mundos já se deparou com situações de preconceito. Para ela, a população não está acostumada a ver pessoas negras na zona sul do Rio de Janeiro e conta que já chegou a ser confundida com empregada doméstica em seu próprio prédio.

 

Serena e ao mesmo tempo firme, ela demonstra atitude ao falar deste tema: "O brasileiro quando olha para alguém que vem do continente africano ele não humaniza essa pessoa. Eu falo isso com muita tranquilidade e não é crítica. Falo porque vivi".

 

Quando o assunto é o seu país de origem, a atriz revela que já ouviu muitas coisas desagradáveis: "Eu era a africana e os colegas perguntavam: 'Ah, você andava de elefante? Você andava de girafa? Lá tem prédio? Lá tem carro?' Na época eu achava que eram perguntas provocativas, mas não eram. Era um profundo desconhecimento do brasileiro pelo continente africano".

 

A atriz que tem paixão pelo teatro está em cartaz com a peça "RACE", até o dia 31 de maio, em São Paulo no Teatro Viga.

 

O programa Conversa com Roseann Kennedy tem horários alternativos na TV Brasil na madrugada de segunda para terça às 2h45. A atração jornalística também vai ao ar aos domingos, às 19h30.

 

Serviço:
Conversa com Roseann Kennedy – segunda-feira (22), às 21h30, na TV Brasil.
Conversa com Roseann Kennedy – segunda-feira (22) para terça (23), às 2h45, na TV Brasil.
Conversa com Roseann Kennedy – domingo (28), às 19h30, na TV Brasil.

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