May 18th, 2010
A professora Simone Crocetti do Curso Superior de Tecnologia de Telecomunicações da Universidade Tecnológica Federal do Paraná nos enviou seu depoimento sobre a série Nova África, especialmente sobre o 12º episódio que aborda a transformação que o celular provocou no Quênia.
Se você também é fã do Nova África e/ou utiliza os programas em seu trabalho educativo, escreva-nos, dê o seu depoimento. Para participar, basta enviar seum depoimento e uma foto sua ou do grupo que acompanha o Nova África para o seguinte e-mail: nova.africa.baboonfilmes@gmail.com .
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Trabalho há 24 anos com telecomunicações. Vivi alguns momentos do setor: desde a espera de anos para conseguir uma linha fixa, a introdução do celular com seu aparelho sofisticado “tijorola”, a privatização (que causou muito desemprego entre meus colegas) e, atualmente, a introdução do VoIP como alternativa aos preços abusivos das tarifas telefônicas. Porém, nosso País evoluiu independente das telecomunicações, não somos excelentes, mas nossas crianças têm acesso à escola, temos um sistema de saúde (mesmo que precário), temos inúmeras indústrias, o sistema bancário funciona bem, entre outras conquistas. Os ganhos advindos exclusivamente da telefonia ficaram encobertos pelas demais conquistas.
O caso do Quênia consegue separar claramente a contribuição das telecomunicações. Em certo ponto do filme, a repórter Aline, mostra que foi a falta de infraestrutura que impulsionou as telecomunicações. Isto confirmou algo que sempre defendi perante meus alunos: as telecomunicações impulsionam o desenvolvimento de um país. Também mostra que valorizamos pouco tudo que conquistamos nesta área, como a parte em que a vendedora fala: “e tem rádio!’, para um aparelho que aqui no Brasil só é usado por pessoas mais simples.
Outro aspecto interessantíssimo são os preços cobrados, muitas vezes mais baratos que no Brasil, comprovando um dos motivos do imenso lucro que as operadoras de telefonia têm aqui: as tarifas em nosso país poderiam ser bem mais acessíveis.
Todos estes conceitos foram apresentados em uma linguagem simples, agradável, por meio de contrapontos instigantes, como o paralelo entre o trabalho do tecnólogo Simon e do cliente Simon: ambos dependentes da infraestrutura. A repórter Aline soube se integrar com os quenianos, deixando-os bem à vontade para participar.
Concluindo: tenho que parabenizar toda a equipe, por terem captado, de forma mágica e linda, uma situação que leva à reflexão.Professora Simone Crocetti
Curso Superior de Tecnologia em Telecomunicações, Universidade Tecnológica Federal do Paraná
December 9th, 2009
Por Aline Midlej
MGEUZO significa transformação em swahili, a língua nacional do Quênia. E transformação é o que está acontecendo nessa parte da África. E por causa da tecnologia! O celular está chegando aos locais mais distantes do país. Está transformando muitas realidades. Mas estamos falando de uma tecnologia adaptada às necessidades dos africanos… Já imaginou poder pagar uma conta pelo celular? E transferir dinheiro com um toque? Pois isso já acontece na África. Nós percorremos diferentes regiões do país em busca desses quenianos transformados!
Githiomi é aquele tipo de pessoa que encanta no primeiro olhar. Um senhor comunicativo, espontâneo que acompanha as novidades. Ele é um fazendeiro que, passados os 70 anos de idade, viu a rotina mudar com a chegada do celular. Agora, não larga o aparelhinho. Os negócios ficaram mais ágeis, a vida, até mais divertida. Mas Githiomi não perde alguns hábitos interessantes…
Nos cenários rurais do Quênia, transformados pelas torres de transmissão, o celular está aproximando as pessoas. Está diminuindo a saudade. A migrante Mercy está mais tranquila agora. O marido a visitar e aos filhos com mais frequência. Além disso, o dinheiro para as despesas da casa chega mais rápido, pelo celular! Quase toda semana, Mercy se arruma e vai até a cidade, onde retira o crédito que recebe pelo aparelho. A rotina se transformou! No Quênia, em regiões sem energia elétrica, sem rede de tratamento de água, sem agências bancárias, o celular assumiu o papel dos bancos!
É difícil circular pela capital Nairobi e não ver um queniano com o celular na mão. Lá, até os telefones públicos utilizam a rede de telefonia móvel. É só chegar, pagar e falar. As lojinhas ficam espalhadas nos centros comerciais, em frente aos condomínios. Agora, até ônibus tipo lotação pode ser pago com o dinheiro eletrônico, via celular. Mas não é um ônibus qualquer não… Os MATATUS, como são popularmente conhecidos, são verdadeiras obras de arte.
Venha conhecer esse Quênia transformado! Com a equipe do Nova África.
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