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  • March 15th, 2010

    Como Será a Revista Nova África

    Originalmente publicado em 18/09/2009 no Viomundo

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    A repórter Aline Midlej faz anotações ao sair de um vilarejo dos himba quase na fronteira da Namíbia com Angola, na África. Notem o braço avermelhado dela. Uma mulher himba aplicou na repórter a mistura de gordura e ocre que tinge as mulheres himba de vermelho.

    por Luiz Carlos Azenha

    Nos próximos dias pretendo apresentar a vocês um projeto do qual orgulhosamente faço parte. Trata-se da revista Nova África, que estréia dia 25 de setembro, 10 da noite, na TV Brasil. Uma série de 26 programas semanais em que uma equipe da Baboon Filmes viaja pela maior parte do continente.

    Mas, antes, uma explicação: a Baboon Filmes disputou uma concorrência pública com várias produtoras de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília — todas interessadas em fazer o projeto. E venceu. A Baboon pertence a dois jovens empresários de São Paulo, Henry Ajl e Markus Bruno, ambos repórteres cinematográficos. Fui convidado pela produtora para escrever o projeto editorial, o que fiz em parceria com a historiadora Conceição Oliveira. E, depois de 28 anos como repórter de televisão — comecei em 1980, na TV Bauru, da Rede Globo — faço minha estréia como diretor.

    Na verdade integro uma equipe de feras, uma mistura de gente que tem grande experiência no ramo, como eu, e de novatos como a repórter Aline Midlej. Estou certo de que vocês vão se encantar com a Aline. É uma mulher batalhadora e dedicada, que ontem estava com o Henry em algum lugar do Congo, a caminho de um encontro com os pigmeus na região fronteiriça com Ruanda. Como a maioria dos brasileiros afrodescendentes, ela tem poucas informações sobre suas raízes na África. Nossa idéia foi colocá-la não só como repórter, mas também como personagem dessa descoberta, que é de muitos.

    Para todos os envolvidos no projeto, aliás, tem sido uma descoberta. Quando eu comecei a me interessar pela África eu ainda morava nos Estados Unidos. Fui notando aos poucos que quase toda a historiografia refletia o olhar europeu sobre um continente partilhado pelas potências européias no auge do imperialismo mercantil. E que, mesmo títulos recentes, embora descartassem o racismo mais aberto, estavam impregnados de preconceito. Notei que quase não existia nada escrito em português sobre a rebelião Mau-Mau no Quênia, a matança dos herero no que hoje é a Namíbia ou os crimes do rei Leopoldo no Congo. Pela dimensão dessas tragédias, há pouco escrito sobre esses temas mesmo em inglês.

    Com certeza, não é por acaso. Descobri também que quando os europeus buscaram ocupar fisicamente o território africano, em nome do “comércio, cristianismo e civilização”, se esforçaram para apagar a história da África e descrevê-la como território dos “bárbaros”. Os negros como símbolo de barbárie era do que os europeus precisavam para justificar a expropriação das terras, a exploração dos recursos naturais e a implantação de regimes racistas, dos quais o da África do Sul se tornou símbolo, embora vários tenham sido tão perversos quanto o dos africâners.

    Entendendo episódios como a rebelião Mau Mau e outros eventos que podemos classificar grosseiramente na categoria de lutas de resistência, cresce a admiração pelas estratégias que os africanos adotaram para preservar sua cultura e tradição. Foi o que vimos, por exemplo, na ilha de Moçambique, com o povo macua. Os macua reciclaram as influencias que “desembarcaram” na costa de Moçambique mas nunca perderam a energia vital — podemos vê-la hoje por aí, nas ruas do Rio de Janeiro e Salvador.

    A África real também é surpreendente por não se encaixar na África “da diáspora”. Como observou com propriedade o pintor moçambicano Naguib, numa entrevista que gravamos com ele em Maputo, os afrodescendentes muitas vezes idealizam, à distância, uma África que já não existe mais. E resistem bravamente a qualquer fato que não se encaixe nesse mundo idealizado, em que a cor de pele é definidora de quem é “herói” e quem é “vilão”.

    Modestamente, aos poucos, pretendemos dar conta dessa complexidade, ouvindo especialmente os protagonistas que o Jornalismo em geral relegou ao papel de “coadjuvantes exóticos”: os próprios africanos.

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  • February 4th, 2010

    África Sustentável

    Por Patrícia Latini, no Sonhos para o Mundo

    01/02/2010

    Desde dezembro de 2009 venho acompanhando a série “Nova África”, da TV Brasil. Trata-se de um programa de 26 episódios, idealizado pelo jornalista e blogueiro Luiz Carlos Azenha.


    A cada semana é exibido 1 episódio (sextas às 22:00 e reprises segundas às 20:00).


    O intuito é mostrar ao telespectador uma nova forma de ver a África, um outro lado que é pouco mostrado nos repetitivos programas do History Channel, Discovery ou National Geographic, em que muito se fala da fauna africana, do folclore e da história do continente sob uma ótica européia, esquecendo-se do mais importante: o povo africano e a sua visão do que é a África.


    O programa é de excelente qualidade para uma tv pública. Mais do que informações do desenrolar da história da África do século XXI, o “Nova África” dá espaço para que a voz do africano seja ouvida.


    O programa é exibido desde setembro de 2009, mas como dito no início do texto, o acompanho há pouco tempo. Tenho adorado e achado de extrema relevância a pauta de cada programa. O último em especial – exibido em 29/01/10 me surpreendeu de forma bastante positiva.


    Na fronteira da República Democrática do Congo, com Ruanda e Uganda, há uma enorme disputa entre os povoados, que, sem alternativa energética (por causa da enorme população e ausência de infra-estrutura para geração de energia), sobrevivem com o carvão. Os congoleses avançam sobre as áreas de preservação ambiental no montanhoso Parque Nacional Virunga (que abrange os 3 países. Duas árvores são derrubadas para produzir um saco de carvão, que é vendido a cerca de R$25,00 e utilizado pelos próprios nativos para uso doméstico.

    O desmatamento ocorre no Parque que fica nas Montanhas do Virunga, próximo à cidade de Goma, no Congo, em que ruandeses e ugandeses atravessam a fronteira para ir até lá desmatar para produzir o carvão.

    Essa questão da disputa e comercialização do carvão é uma problemática para os 3 países, por 2 motivos principais:


    1) a maior concentração de gorilas das montanhas e da planície que vivem bem próximo aos povoados, nessa região – a Cordilheira do Virunga, têm o seu hábitat ameaçado com o desmatamento das árvores;

    2) as milícias que controlam a produção de carvão do Parque Nacional Virunga – em Goma, ainda por cima, cobram uma espécie de “taxa” da população, por cada saco de carvão (+/- $12,00 ou R$25,00).


    Porém, felizmente na RDC, foi implantado pelo governo um programa que incentiva a fabricação do briquet – uma fonte artesanal, em vez da utilização do carvão.

    O briquet é uma mistura bem simples de restos de papelão, papel, folhas secas, serragem da madeira usada para a construção das casas e água. Essa “massa” é colocada em fôrmas cilíndricas, que depois são cortadas e colocadas ao ar livre para secar.

    Já existem 15 mini fábricas em Goma. O briquet é utilizado como uma fonte energética em substituição ao carvão. As pessoas que ali vivem já incorporaram o briquet no uso doméstico (para cozinhar, por exemplo. O tempo de cozimento é mais rápido do que com o carvão).

    Além de ser ecologicamente correto e mais barato, o briquet auxilia na preservação dos gorilas e não faz mal à saúde da população, como o carvão, que causava problemas respiratórios. Outro benefício que o briquet está proporcionando, são os novos empregos que estão sendo gerados (em cada mini fábrica são empregadas 6 pessoas).


    Se o meio ambiente continuar a ser preservado, mais turistas irão até o parque, e, desse modo, ainda mais empregos serão gerados.


    A boa notícia é que essa inovação do uso do briquet, já é implantada também em outros países mundo afora.


    Contento-me em saber que a África segue em um caminho de sustentabilidade.

    Links:


    Gorilla.cd – The official website of Virunga National Park, DR Congo: (Making briquettes in Congo)

    Virunga National Park

    Programa “Nova África”

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  • November 25th, 2009

    Episódio 10: República Democrática do Congo 2ª parte

    O programa Nova África vai apresentar nesta sexta-feira, 27/11, às 22 horas, um especial sobre a República Democrática do Congo.

    A repórter Aline Midlej e o cinegrafista Henry Ajl, Goma, RDC.
    A repórter Aline Midlej e o cinegrafista Henry Ajl, Goma, RDC. Foto: Padu Palmério

    Em visita a um campo de refugiados no Leste daquele país africano, a repórter Aline Midlej colheu depoimentos dramáticos das vítimas da violência e mostrará o trabalho daqueles que se dedicam a dar algum conforto aos civis.

    Crianças e adolescentes congoleses em campo de refugiados, Leste da RDC. Foto: Padu Palmério.
    Crianças e adolescentes congoleses em campo de refugiados, Leste da RDC. Foto: Padu Palmério.

    A série faz um retrato do Congo, onde há uma guerra civil, que já matou mais de 3 milhões de pessoas. E mais: é o país que transformou o estupro em arma de guerra e onde os homens encarregados de dar segurança — policiais e soldados — também cometem crimes.

    A reportagem explica também como os países vizinhos, interessados na riqueza mineral do Congo, se envolveram na guerra. E pergunta: como um dos países mais ricos da África mergulhou no caos?

    O próximo episódio da série Nova África, sexta-feira, 27/11 às 22 horas, na TV Brasil.

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