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  • December 17th, 2009

    Entrevista: Luiz Carlos Azenha, diretor de Nova África fala sobre a série

    A série Nova África, incluída na nova programação da TV Brasil, mostra imagens e histórias do continente africano que pouca gente viu ou ouviu. “Falar em África como um todo é tão impróprio quanto falar em América Latina desconhecendo que ela inclui desde o Uruguai até Barbados. Por isso o nome: Nova África. Uma nova forma de ver a África”, define Luiz Carlos Azenha, jornalista responsável pela série de 26 episódios que será exibida toda sexta-feira a partir de 25 de setembro, às 22h, na TV Brasil. “A cada semana, uma surpresa”, promete o jornalista, para acrescentar: “ Tentamos romper com o tom condescendente ou folclórico que é comum nas reportagens de brasileiros sobre a África”.

    Confira a entrevista que Azenha concedeu à equipe da TV Brasil.

    TV Brasil – A ideia do Nova África é mostrar uma África diferente. O que isso quer dizer?
    Luiz Carlos Azenha – A África que conhecemos foi “inventada” pelos europeus. A ocupação física do continente se deu num quadro de disputa entre as potências européias e da expansão da evangelização cristã. “Comércio, cristianismo e civilização” eram os 3 cês conjugados pelos colonizadores. Nasceu daí a idéia da África “bárbara”, “selvagem”, do “continente negro” como lugar da perdição. Foi preciso apagar a história da África para inventar um continente à imagem e semelhança da Europa, mas para poucos. Muito embora essa visão racista da África tenha desaparecido do discurso oficial, os preconceitos persistem em pleno século 21. A África “não dá certo”, é vista como símbolo do atraso, da decadência e da corrupção. Nós pretendemos romper com esse paradigma de ver a África através de lentes européias. Em primeiro lugar, deixando que os próprios africanos falem sobre si, não “especialistas” que nunca puseram o pé no continente. Em segundo lugar mostrando que o continente é bastante complexo e que falar em África como um todo é tão impróprio quanto falar em América Latina desconhecendo que ela inclui desde o Uruguai até Barbados. Por isso o nome: Nova África. Uma nova forma de ver a África.

    TVB – Como será a estrutura do programa?
    LCA – Cada programa tem 26 minutos, grosseiramente divididos em dois blocos. Fazemos roteiros terrestres, viagens de descoberta, especialmente por regiões remotas dos países que visitamos. Começamos em Moçambique, passamos pela África do Sul, Botsuana e Namíbia. Em seguida, Ruanda e Congo. Existem fios condutores em cada um dos programas. Em Moçambique, mostramos a força da cultura dos macua, que mantiveram suas tradições apesar da escravidão, do colonialismo e da guerra civil. Na África do Sul, mostramos como pouco mudou no campo desde o fim do apartheid: as terras continuam concentradas na mão de 60 mil fazendeiros brancos e os negros que migraram para as cidades entram em conflito com imigrantes negros que vem de países da região.Em Botsuana mostramos a disputa entre homens e elefantes pelo uso da água e das terras.

    TVB – Quais temas serão tratados nos episódios?
    LCA – Nos programas temáticos falaremos, por exemplo, de como o português do Brasil – que chega pela TV, especialmente pelas novelas – foi incorporado ao cotidiano dos países de língua portuguesa; da disputa pelos recursos naturais à qual se incorporaram mais recentemente chineses, indianos e brasileiros; discutiremos até que ponto a “ajuda externa” à África é, de fato, ajuda.

    TVB – Que histórias dos programas já gravados você destacaria?
    LCA – Fomos ao famoso Grande Hotel da Beira, em Moçambique, que já foi um símbolo do império colonial português na África, hoje ocupado por cerca de 800 famílias. Fomos ao parque nacional do Chobe, em Botsuana, onde a maior concentração de elefantes no planeta disputa terras com os fazendeiros. Fomos às cachoeiras de Epupa, no rio Cunene, fronteira de Angola e Namíbia, mostrar a tradição ameaçada do povo himba. Apenas na primeira viagem fizemos 6 mil km de jipe atravessando quatro países, o que resultou num material riquíssimo. A segunda viagem começamos em Bruxelas, na Bélgica, país que enriqueceu graças à borracha extraída do Congo. Ou seja, fazemos reportagens historicamente contextualizadas, que estamos certos terão grande serventia para estudantes e professores que quiserem ensinar sobre a África.

    TVB – O que o telespectador da TV Brasil pode esperar do Nova África?
    LCA – Estamos prometendo uma surpresa por semana. Os programas estão bem diferentes uns dos outros. Não é por acaso. Tentamos romper com o tom condescendente ou folclórico que é comum nas reportagens de brasileiros sobre a África. Os montadores fazem um trabalho muito mais próximo do cinema que da TV. E a repórter Aline Midlej faz uma viagem de descoberta pessoal em busca das raízes da família dela no continente. A gente espera que o telespectador se surpreenda tanto quanto a Aline se surpreendeu até agora.

    Nova África estreia no dia 25 de setembro, às 22h.

    Fonte: Nova África: série da TV Brasil dá voz aos africanos e retrata diversidade do continente, 18/09/2009, Sala de Imprensa: TV Brasil
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  • December 4th, 2009

    Episódio 11: Ruanda

    Em 1994, Ruanda foi palco de um genocídio que chocou o mundo.

    Os ‘hutus’ e ‘tutsis’ falam a mesma língua e, ao longo da história, ambos grupos casaram entre si e conviveram pacificamente. Mas o etnicismo criado pelos colonizadores levou a uma divisão forjada artificialmente que culminou no assassinato de cerca de 1 milhão de pessoas em 1994.

    Genocídio em Ruanda. Foto: S. Chacon
    Genocídio em Ruanda. Foto: S. Chacon

    Após quinze anos do genocídio, uma nova geração reconstrói Ruanda. O governo atraiu mão de obra estrangeira para ajudar a reformular o país. Em Kigali, os jovens fazem isso através do teatro e da mídia.

    Editores da Revista Blink, Kigali, Ruanda. Foto: Edu Palmério.
    BAC – T apresentador de um programa de Hip Hop numa rádio de Kigali. foto Padu Palmério.

    Ruanda que cultiva chá e café para a exportação é um país majoritariamente agrário: cerca de 80% da  população vive no campo. Mas a falta de terras continua ameaçando as novas gerações: o governo limitou o tamanho das propriedades e o número de filhos por família.

    Neste novo episódio da série Nova África um de nossos entrevistados é Paul Rusesabagina, que hoje vive exilado na Bélgica e ficou famoso por inspirar o filme Hotel Ruanda. Para ele, Ruanda é um vulcão prestes a explodir.

    Mas, o que pensam os ruandenses de Kigali após o massacre realizado pelos ‘hutus’ contras os ‘tustis’? Será que superaram o etnicismo criado pelos colonizadores e reforçado pelos hutus após a Independência?

    Como vivem os jovens ruandenses? Quais são suas perspectivas para o futuro?

    Editores da Revista Blink, Kigali, Ruanda. Foto: Edu Palmério.

    Assista o próximo episódio da série Nova África para conhecer a nova Ruanda.

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  • November 2nd, 2009

    Diário de viagem: Kigali, Ruanda

    Por: Conceição Oliveira

    Parte da equipe do Nova África está em campo: a repórter Aline Midlej, o cinegrafista Henry Ajl e o produtor Padu Palmério estão em Kigali, capital de Ruanda.

    Segundo nos conta Padu, o primeiro dia de gravação foi maravilhoso. A equipe gravou a preparação dos atores do grupo de Teatro Mashirika.

    Nas imagens registradas por Padu, jovens atores ruandenses preparam-se para a apresentação da peça “Umutego Speciale”, algo como Cilada Especial.

    A temática do espetáculo trata de relações de poder entre homens e mulheres; patrões e empregados.

    Teatro Mashirika, Kigali, Ruanda. Foto Padu Palmério

    Teatro Mashirika, Kigali, Ruanda. Foto Padu Palmério

    Teatro Mashirika, Kigali, Ruanda. Foto Padu Palmério

    Teatro Mashirika, Kigali, Ruanda. Foto Padu Palmério

    Teatro Mashirika, Kigali, Ruanda. Foto Padu Palmério

    Teatro Mashirika, Kigali, Ruanda. Foto Padu Palmério

    Teatro Mashirika, Kigali, Ruanda. Foto Padu Palmério

    Teatro Mashirika, Kigali, Ruanda. Foto Padu Palmério

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