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BR3 - Amores Migrantes

Descubra histórias de amor relacionadas a movimentos migratórios

Olhar Nacional

No AR em 16/04/2018 - 01:00

Histórias de amor com final feliz: este é o tema da série documental BR3 - Amores Migrantes. Os movimentos migratórios ocorridos no Brasil entre as décadas de 1950 e 1980 são o ponto de partida para mostrar as transformações que o país sofreu, durante o romance de cada casal.

Episódio 1 - Ditadura
Isaura Lemos, nascida em Jundiaí interior de São Paulo, é de uma família de 10 irmãos, todos politizados. Era uma jovem estudante em 1969 quando foi requisitada para levar uma carta para a família de Euler Ivo, em Goiás. Euler era perseguido pelo regime militar e vivia na clandestinidade. O encontro do casal foi marcado pelo irmão de Isaura para a entrega dessa carta, na cidade de Campinas. Ali se conheceram e se apaixonaram. Viveram como clandestinos por vários lugares do Brasil e foi na floresta amazônica, nas mãos de uma parteira, que tiveram sua primeira filha, Tatiana. Hoje vivem em Goiânia, onde também moram suas três filhas.

Episódio 2 - Canavieiros
Lucinda Alves Soiero mudou-se pra Guariba (SP) aos 5 anos em 1972 com a família (mãe e dez irmãos), onde o pai já havia chegado para trabalhar na lavoura. A família migrou da Chapada do Norte - Vale do Jequitinhonha (MG). Valdomiro Soier nasceu em Minas Novas (MG), que também fica na região do Jequitinhonha, mas só conheceu Lucinda em Guariba - região canavieira de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, na lavoura de cana. Ela já era cortadora de cana quando houve a grande greve, em 1984. Ele só chegou depois, quando alguns dos direitos dos canavieiros tinham sido conquistados. Atualmente, ela trabalha como manicure e venda por catálogos e ele ainda trabalha na lavoura. Toda a família dela casou-se com migrantes e moram na cidade até hoje.

Edison e Valdiva se conheceram em Sinop (MT)
Edison e Valdiva se conheceram em Sinop (MT) - Divulgação/Miração Filmes

Episódio 3 - Sinop
Edison Antonio de Souza nasceu no oeste catarinense, quase na fronteira, em 1963. A mãe morreu no parto dele, que acabou sendo criado pela avó materna. O pai constituiu outra família. Valdiva Rossato nasceu na zona rural de Anchieta (SC) em 1971. Sua família foi para Sinop (MT) cidade que foi implantada num grande processo migratório nos anos 70, com o intuito de desenvolver e ocupar a região. Na juventude, Edson foi estudar num seminário em Passo Fundo, de lá decidiu se mudar pra Sinop, onde estava o pai, que também foi para a cidade em busca de novas oportunidades de trabalho. Como professor da escola local, foi ao velório do pai de uma aluna da escola onde lecionava. A aluna era Valdiva. Foi assim que se conheceram, namoram, casaram e tiveram dois filhos.

Episódio 4 - Barrageiros
A menina Euzébia Mariano vivia com os avós maternos numa fazenda em Paranaíba (MS) quando, aos 9 anos de idade, mudou-se para Três Lagoas (MS). Fugindo das privações da vida na roça, Adoilo Pereira, natural de São Roque de Minas (MG), mudou-se para Três Lagoas em busca de trabalho nas usinas do Complexo Urubupungá. Era 1964, quando desembarcou em terras sul-mato-grossense, logo foi contratado para trabalhar no laboratório de solos da usina. Em poucos meses, Euzébia e Adoilo conheceram-se numa excursão para São Paulo. A rápida troca de olhares da ida tornou-se uma longa conversa na viagem de volta. Casaram-se em 1970 e fixaram residência em Ilha Solteira (SP), onde têm dois filhos e dois netos.

Episódio 5 - Metalúrgicos do ABC
Os pais de Vanilda eram de Mirandópolis (SP) e trabalhavam na roça. Em 1966 a situação ficou difícil por lá e eles foram tentar a vida em Maringá (PR). A mãe engravidou da Vanilda nesse ano. Ela nasceu nesta cidade. Dois anos depois (1968), após passarem por muitas dificuldades, resolveram se mudar para o ABC Paulista, que surgia como cenário de oportunidades de trabalho. Juarez Damasceno Murça, nasceu em 1954 na região de Montes Claros, zona rural da cidade de Francisco Sá (MG). Viveu lá até os 26 anos. Mudou-se para São Caetano do Sul (SP) em 1978, para tentar a vida nas indústrias metalúrgicas estabelecidas na região, como já haviam feito seus irmãos. Foi em São Caetano do Sul, num carteado com amigos operários, vizinhos de Vanilda, que Juarez a conheceu e se apaixonou. O movimento sindical do ABC no final dos anos 70, teve papel importante na vida do casal.

Vanilda e Juarez se conheceram em São Caetano do Sul (SP)
Vanilda e Juarez se conheceram em São Caetano do Sul (SP) - Divulgação/Miração Filmes

Episódio 6 - Serra Pelada
Quando Maria de Jesus Sousa tinha ainda 8 anos de idade ficou órfã de mãe. Depois disso a maranhense de Butirama sofreu todos os tipos de violência até ser acolhida num convento. Como não tinha vocação religiosa, aos 18 anos resolveu voltar para junto de parte da família. Foi encontrar-se com o irmão que em estava em Serra Pelada (PA) trabalhando como garimpeiro. O paraense de Alenquer, Emanuel da Silveira conhecido como Bigode, embarcou na corrida do ouro que enlouquecia brasileiros de todos os cantos do país e também foi tentar sorte em Serra Pelada. Em 1987 foi apresentado a Maria de Jesus pelo irmão dela. Depois disso engataram romance, se casaram e tiveram dois filhos. Ela é sua pepita mais preciosa e eles seguem juntos até hoje.

Episódio 7 - Brasília
Em 1956, o então presidente Juscelino Kubitschek, pede ao pai de Harco Ofugi que monte uma cooperativa agrícola na capital em construção, para cultivar alimentos para os candangos que trabalhavam nas obras. Harco, nascida em Oriundiuva (SP), mas nessa época morava em Goiânia (GO) com a mãe e os irmãos. Toda a família só foi em 1959 para Brasília se juntar ao pai. Carlos Sobrinho, nascido em Coromandel (MG) no ano de 1946, mudou-se para a futura capital para trabalhar na companhia urbanizadora instalada ali. Foi em Brasília, que conheceu e se apaixonou pela bela e corajosa Harco, ambos com 16 anos de idade.

Episódio 8 - CSN
A instalação da CSN - Cia. Siderúrgica Nacional em Volta Redonda (RJ) motivou a vinda do carioca do Méier Waldner Britto para a cidade em 1949. Britto foi admitido para trabalhar no almoxarifado da empresa e depois foi sendo promovido durante os mais de 30 anos por lá. Maria Sebastiana, a Tana, nascida em Barra Mansa (RJ), se mudou para Volta Redonda, aos 9 anos, pois seu pai era funcionário da Rede Ferroviária Central do Brasil. Na casa de Tana sua mãe oferecia refeições para os funcionários da CSN em casa. Foi assim que o casal se conheceu e se apaixonou. Em 2016 comemoraram 65 anos de casados. A história da CSN se confunde com a história de Volta Redonda, que no período militar foi considerada área de segurança nacional.

Episódio 9 - Café
Arlinda era uma jovem de 15 anos (em 1951) quando saiu de São Raimundo Nonato, no Piauí, com a mãe e irmãos para tentar a vida nas lavouras de café do Norte do Paraná. Antonio viveu no arraial de São José de Gorotuba a 18 km de Janaúba (MG) até os 19 anos. Saiu de lá e arrumou trabalho como fiscal na fazenda onde Arlinda morava com a família. Assim se conheceram e se casaram. Tiveram filhos e viveram no Norte do Paraná até quando sucessivas geadas deixaram os agricultores sem emprego e os empurraram para a capital Curitiba. Lá a família chegou a dormir debaixo de lonas pretas, o que motivou Dona Arlinda a participar dos movimentos de Ocupações na periferia da capital paranaense.

Episódio 10 - Povos da floresta
Aos 7 anos de idade, Maria das Graças Costa Silva, saiu da área de seringal de Boca do Acre (AC), com toda a família para morar na capital Rio Branco. Era comum nos anos 70 e 80, famílias de seringueiros serem expulsas pelo avanço da agropecuária na região. Elcio Severino da Silva Manchineri, o Toya, saiu de Assis Brasil (AC) onde fica a aldeia de seu povo, com a ideia de se formar na universidade. A ideia era voltar para a aldeia para ajudar na preservação da cultura e do povo Manchineri. Isso era comum na época. Ambos envolvidos no movimento social e político dos povos da floresta, se conheceram em 1988 em Xapuri, no dia do velório de Chico Mendes. Apaixonaram-se, casaram e se mudaram para Brasília alguns anos mais tarde.

BR3 - Amores Migrantes
BR3 - Amores Migrantes - Divulgação/Miração Filmes

Episódio 11 - Cubatão
Em 1961, Maria da Silva, sua mãe e irmãos deixaram a pequena Lagoa de Santa Rita (BA) e foram ao encontro do pai, que trabalhava na construção das indústrias de Cubatão (SP). Retirantes, vítimas da seca e da miséria, viajaram sete dias num pau-de-arara, na esperança de uma vida melhor, com a família reunida. José Antônio Pereira deixou Volta Redonda (RJ) e seguiu os passos dos irmãos, em busca de uma oportunidade no Polo de Cubatão, aos 20 anos de idade. Vivendo numa pensão de operários migrantes, frequentava um mercadinho de bairro, onde ela trabalhava. Em 1969, Maria tinha 17 e José 23 anos quando se casaram. Ainda moram no mesmo bairro, têm três filhos e netos.

Episódio 12 - Camaçari
Raimundo nasceu em 1966 em Milagres (CE), na região do Cariri. O pai de Raimundo, sempre trabalhou em construção civil circulando pelo Nordeste atrás de grandes obras. Foi assim que se chegou em Camaçari (BA) em 1978 para trabalhar na construção do polo petroquímico. Trouxe a família dois anos depois. Na cidade, Raimundo trabalhou no comércio e nas indústrias do polo. Paralelamente fez faculdade de História. Desde 1985, atua no sindicato dos professores na rede municipal da cidade. Sony nasceu em 1968 em Salvador. Durante a infância a família mudou-se de lá para cá em busca de trabalho - viveu em Governador Mangabeira, em Cruz das Almas, Amélia Rodrigues e Simões Filhos. Em 1986 começou a trabalhar no Centro Industrial de Aratu, numa indústria de plásticos. No mesmo ano conheceu Raimundo num encontro do movimento de juventude da igreja católica em Camaçari. Cinco anos mais tarde eles se reencontraram, namoraram e casaram e vivem na cidade até hoje.

Episódio 13 - Construção Civil
Pense numa “festa do choro”! Assim, a baiana Maria Abadia descreve o desespero dos irmãos pequenos diante da morte de sua mãe, na pequena Pau D`Alho, região da Chapada Diamantina. Abadia tinha 17 anos e precisava ajudar a família. Os mais velhos já estavam em São Paulo e ela partiu. Era 1969 e o “milagre econômico brasileiro” atraía rapazes para trabalhar na construção civil e as moças para as casas de família, na capital paulista. Nesta grande marcha dos nordestinos para o sul, o jovem Raimundo Messias, natural de Salobro (BA) chega na cidade de São Paulo, em 1975. A cidade se transformou na capital nordestina do Brasil incorporando a cultura e as tradições desta população. E foi em 1986, no forró Asa Branca, reduto nordestino no bairro de Pinheiros, que Abadia e Raimundo se apaixonaram. Juntos, criaram as duas filhas dela, tiveram um filho e construíram sua casa em Itapecerica da Serra (SP), onde vivem até hoje.

Direção: Sergio Roizenblit
Produção: Miração Filmes

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