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Samba na Gamboa comemora 80 anos de Martinho da Vila

Sambista tem uma vida dedicada à arte de fazer boa música

Samba na Gamboa

No AR em 24/08/2018 - 21:45

O episódio de estreia da nova temporada de Samba na Gamboa recebe o grande Martinho da Vila para festejar seus 80 anos de música. O sambista fluminense natural de Duas Barras revela a Diogo que seu vínculo com a folia já parecia predestinado: nasceu em um sábado de carnaval. De 1938 pra cá, porém, não foi só de samba que Martinho viveu. No episódio ele conta que depois de uma formação como auxiliar de químico industrial, ele soube que poderia ter um salário melhor como militar e decidiu ingressar no exército, onde foi cabo, sargento e cursou a Escola de Instrução Especializada, onde se formou em contabilidade. Felizmente ele deu baixa em 1969 para se dedicar exclusivamente à carreira de cantor e compositor, gosto que vinha apurando desde a adolescência, em blocos de carnaval como o Boca do Mato.

Confira um trecho do programa.

Diogo Nogueira recebe Martinho da Vila no Samba na Gamboa
Diogo Nogueira recebe Martinho da Vila no Samba na Gamboa - Foto: Kamyla Abreu

O artista surgiu para o grande público no III Festival de MPB da TV Record, em 1967, quando apresentou o partido-alto “Menina Moça” e no ano seguinte, na quarta edição do mesmo festival, lançou o clássico “Casa de Bamba”, seu primeiro sucesso, seguido de “O Pequeno Burguês”. Em 1969 gravou o LP intitulado Martinho da Vila, que atingiu o primeiro lugar na parada musical em execução radiofônica e foi recordista em vendagem naquele ano. Logo se tornou um artista conceituado e ganhou muitos prêmios pela qualidade do conjunto da obra, além de ter sido um dos maiores vendedores de disco no Brasil. Em 1995, com o CD Tá delícia, Tá gostoso, consagrou-se como o primeiro sambista a ultrapassar a marca de um milhão de cópias vendidas em tempo recorde.

Além de sua relação com a Vila Isabel, escola que acabou adotando em seu nome artístico, Martinho comenta também sobre as mudanças que imprimiu no andamento e letra dos samba enredo, antes muito caudalosos e lentos. Ingressou e passou a dedicar-se de corpo e alma à Escola do Bairro de Noel em 1965 e a história da Unidos de Vila Isabel se confunde com a de Martinho. Nunca exerceu oficialmente a presidência administrativa da escola, mas por várias vezes esteve à frente da agremiação da qual é o Presidente de Honra, com busto de bronze na entrada da quadra de ensaios e eventos. Os sambas de enredo mais consagrados da escola são de sua autoria, dentre os quais “Yayá do Cais Dourado”, “Sonho de Um Sonho”, “Raízes” (Antológico samba-enredo sem rimas). Também criou vários temas para desfiles, dentre os quais “Kizomba, a Festa da Raça” que está entre os mais memoráveis da história dos carnavais e garantiu para a Vila, em 1988, seu consagrado título de Campeã do Centenário da Abolição da Escravatura. Também colaborou na criação de outros temas, entre os quais o “Soy Loco Por Ti América”, que deu a Vila o título máximo do carnaval de 2006 e é co-autor do enredo e também do samba-enredo “A Vila Canta o Brasil, Celeiro do Mundo”, campeão de 2013.

Ao longo do bate papo, Martinho comenta também seu gosto pelo partido alto e sua relação com a África, celebrando sua ancestralidade negra tão presente em sua obra. Entre os clássicos cantados nessa noite estão “Menina Moça”, “Disritmia” e “Ex-amor”.

Apresentação: Diogo Nogueira
Direção Geral: Belisario Franca
Direção: Julia Favoretto

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