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Música Luso-africana com Kalaf Ângelo

Compositor angolano radicado em Portugal criou o Buraka Som Sistema

Segue o Som

No AR em 06/01/2018 - 14:00

Esse episódio de “Segue o Som” se dedica a celebrar a musicalidade luso-africana, revelando os pontos de contato culturais entre a terrinha e todas as suas ex-colônias na África e porque não, também no Brasil.

Kalaf Ângelo, escritor, músico, poeta e um dos maiores agitadores culturais da Europa, conversa com Maurício Pacheco sobre suas influências artísticas e conta como surgiu seu projeto que levou o kuduro africano para pistas de música eletrônica ao redor do mundo, o Buraka Som Sistema. Kalaf reflete sobre como se iniciou na música, com seu trabalho com spoken word, ou seja, declamação de versos sobre melodias. Ele brinca: “Eu meio que virei aquela pessoa, como Marisa Monte em “Amor, I love you”, eu virei o Arnaldo Antunes, que lá no final diz umas coisas e fica tudo muito profundo, cheio de sabedoria. Eu fui fazendo essa função em muitas canções”.

Maurício Pacheco entrevista Kalaf Ângelo no Segue o Som
Maurício Pacheco entrevista Kalaf Ângelo no Segue o Som - Divulgação

Ele comenta ainda sobre sua mudança de Angola, onde nasceu, para Portugal, onde vive e fala sobre sua editora musical, Enchufada, que nasceu a partir da dificuldade do próprio Kalaf de gravar seus trabalhos sui generis. “Quando eu quis editar os discos falados, o spoken word que eu fazia, fui batendo à porta de todas as editoras que existiam, e todas diziam: “impossível, a gente não vai conseguir vender isso”, mas eu sabia que existia público praquilo, porque eu via que aquilo tinha apelo, mexia com as pessoas, mas as editoras não acreditavam naquilo, então decidi, com o Branco, meu parceiro no Buraka, criar uma editora, pra editar os nossos discos, pra música que a gente gosta e faz”.

Kalaf Ângelo é entrevistado no Segue o Som
Kalaf Ângelo é entrevistado no Segue o Som - Foto: Divulgação

O papo com Kalaf também levanta a análise sobre as semelhanças entre a música africana e a música do Brasil, não só fruto da língua, mas também dos ritmos e, sobretudo, da expressão corporal. “Quando você ouve Bossa Nova, você ouve o samba, mas ao mesmo tempo você ouve o jazz da Califórnia, então Jobim, e toda aquela geração, tiveram esse golpe de gênio. É essa fronteira que às vezes um ouvido não treinado vê como dois mundos completamente diferentes. Quem é músico, porém, vê as afinidades, como por exemplo, quem consome a Morna de Cabo Verde, ouve um chorinho brasileiro, e encontra as afinidades, porque a música viaja, a música circula”, diz Kalaf Ângelo.

Criado em 05/01/2018 - 15:00

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