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TV Brasil estreia segunda temporada de Recordar é TV com homenagem a Dias Gomes

Programa usa acervo para resgatar história com grandes personalidades

Com o slogan "Se existe memória, a fita roda", o programa Recordar é TV estreia segunda temporada nesta terça (17), às 22h45, na TV Brasil. Lançada em junho do ano passado, a atração resgata e valoriza o vasto conteúdo de acervo do canal.

Preservado, o material de arquivo da emissora pública remete aos tempos da TV Educativa do Rio de Janeiro e constitui um registro histórico importante não só da memória da televisão brasileira como dos hábitos e costumes de outras épocas no país.

Para celebrar a nova leva de homenagens, a TV Brasil destaca a vida e a obra de um dos autores mais consagrado do país, o dramaturgo Dias Gomes. Para reverenciar sua trajetória, a edição desta semana apresenta trechos do programa Advogado do Diabo, exibido pela TVE do Rio em 1985, ano que a novela "Roque Santeiro" fazia grande sucesso na telinha.

Naquela oportunidade, o saudoso autor foi entrevistado pela voz inconfundível do apresentador Osvaldo Sargentelli. Também participam da sabatina ao dramaturgo personalidades da cena cultural como o cineasta Cacá Diegues, a atriz Ítala Nandi e o arquiteto Sérgio Bernardes.

Sobre o programa e as novas edições

Apresentado pela jornalista Neise Marçal, o programa Recordar é TV leva ao telespectador conteúdos que representam momentos importantes da memória da televisão brasileira a partir de material preservado no acervo da emissora pública com os registros feitos na época da TVE do Rio de Janeiro.

Shows, programas de auditório, grandes entrevistas, matérias jornalísticas marcantes, musicais e peças de teledramaturgia serão revisitados em nova roupagem pela atração. O objetivo é tornar esses vídeos de acervo atraentes ao grande público e alvo da curiosidade daqueles que se interessam pela história das mídias como um dos expoentes da cultura nacional.

Para as próximas semanas estão previstas edições temáticas com grandes ícones da música, além de homenagens a artistas consagrados como o escritor Ariano Suassuna, o carnavalesco, produtor e apresentador de TV Fernando Pamplona e a escritora, jornalista e dramaturga Rachel de Queirós entre outros.

As edições do Recordar é TV são reapresentadas pela TV Brasil em horários alternativos. Os interessados em rever a produção podem sintonizar na emissora pública aos sábados, às 18h, e aos domingos, às 23h30.

Obra de Dias Gomes fez história no teatro, cinema e televisão brasileira

Natural da Bahia, Alfredo de Freitas Dias Gomes era um grande contador de histórias que gostava de retratar a vida do povo brasileiro. Com seu talento, o escritor adaptou suas peças para o cinema e para a televisão. Assim, ele se consagrou como um dos maiores autores do país. Entre suas obras mais famosas estão clássicos que marcaram época como "O Pagador de Promessas", "O Bem Amado" e "Roque Santeiro".

Homem de teatro, Dias Gomes escrevia utilizando pseudônimos no início da carreira até até 1956, quando ingressou na Rádio Nacional. No período entre 1944 e 1964, o escritor adaptou cerca de 500 peças teatrais para o rádio, atividade que fomentou um apurado conhecimento sobre a literatura universal.

Em 1960, o dramaturgo volta aos palcos com aquele que viria a ser o maior sucesso de sua obra e pelo qual ficou conhecido mundialmente: "O Pagador de Promessas". Adaptado para o cinema, foi o primeiro filme brasileiro a receber uma indicação ao Oscar e o único a conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

A ditadura militar sempre o considerou um subversivo. Já quem era contra o regime via nele um homem que entendia os anseios da população. O telespectador por sua vez tinha Dias Gomes como um grande mágico, realizador de espetáculos, tendo como matéria prima a realidade do povo brasileiro.

A partir dos anos 1960, com a ditadura no país, Dias Gomes volta-se para a televisão e passa a escrever para o veículo uma vez que suas peças de teatro passaram a ser censuradas. Datam dessa fase sucessos como "Bandeira 2" (1972); "O Bem Amado" (1974), primeira novela em cores do país; "O Espigão (1974) e "Saramandaia (1976).

Na década de 1980, o autor afastou-se do gênero telenovela e voltou a se dedicar ao teatro. Nessa época, escrevia pouco para a televisão. Já nos anos 1990, Dias Gomes passou a fazer minisséries para a telinha.

Na entrevista de 1985 para a TVE do Rio, o dramaturgo analisa a responsabilidade da televisão na cultura brasileira. Sargentelli perguntou a Dias Gomes se "Roque Santeiro" reforçava as produções com temas nacionais. O autor explica que o Brasil quer se reconhecer nas telas.

Os debatedores refletem sobre o período da ditaduta no país e rememoram que a peça orginal "O Berço do Herói" que deu origem à trama foi censura e proibida nos anos 1960 enquanto na década seguinte a novela também sofreu esse revés e só foi liberada com o fim do regime em 1985.

Durante a conversa franca na emissora pública, o cineasta Cacá Diegues comenta que Dias Gomes é pioneiro em seu trabalho na TV. Para o diretor de cinema, o escritor ensinou o brasileiro a amar o Brasil.

Imortal da Academia Brasileira de Letras, o romancista foi casado com a também autora de novelas Janete Clair. Dias Gomes morreu vítima de um acidente automobilístico em 18 de maio de 1999, em São Paulo.

Serviço:
Recordar é TV - terça-feira, dia 17, às 22h45, na TV Brasil.
Recordar é TV - sábado, dia 21, às 18h, na TV Brasil.
Recordar é TV - domingo, dia 22, às 23h30, na TV Brasil.

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