Biometano, e-metanol e hidrogênio verde são exemplos dos chamados “combustíveis do futuro” que já fazem parte do presente. Em comum, eles são desenvolvidos a partir de fontes de energia renováveis (como solar e eólica) e não poluem o Meio Ambiente.
No “Caminhos da Reportagem” desta semana, você vai entender o papel desses novos combustíveis e saber onde eles estão sendo aplicados no Brasil. Pra isso, os repórteres Flavia Peixoto e André Rodrigo Pacheco foram ao Porto de Suape, em Pernambuco.
“Hoje, 39% da energia que Suape consome é renovável. A nossa meta é chegar até agosto, no máximo setembro, a 50% e a 100% de energia renovável no ano que vem”, afirma o diretor de Sustentabilidade e Inovação do complexo, Sóstenes Alcoforado.
O local também abriga uma empresa dinamarquesa que desenvolve o e-metanol. “É a mesma molécula do metanol produzido com fontes fósseis. A diferença é que o e-metanol é feito com fontes renováveis”, explica o representante no Brasil da European Energy, Thiago Arruda. O e-metanol deve abastecer navios que percorrem oceanos mundo afora.
Outra parceria, essa com uma companhia da Finlândia, pretende substituir o óleo diesel das usinas térmicas por etanol. “Nós temos aqui uma solução para o sistema interligado nacional que gera potência e que consome combustível renovável, que é o melhor dos mundos para a nossa condição”, garante o diretor técnico do projeto, José Faustino Cândido.
Também não é à toa que um porto do Nordeste foi escolhido para reunir iniciativas como essas. A região tem ventos persistentes, pelo menos 300 dias de sol por ano e incontáveis fontes de energia renováveis. “O Nordeste é o maior cenário de possibilidades que a gente tem para essa nova indústria. Todos os fundamentos mercadológicos mais contundentes e mais prósperos estão na região”, garante a CEO da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde, Fernanda Delgado.
O hidrogênio verde, por sinal, é outra grande aposta. Ele é desenvolvido a partir de fontes sustentáveis, o que o torna limpo. Verde. “Sem dúvida alguma, é a solução que mais tem ganhado destaque. A gente tem visto muitos projetos sendo anunciados, principalmente no Nordeste, com a finalidade de produzir hidrogênio verde e promover a descarbonização”, aponta a chefe da Assessoria Especial do Ministério de Minas e Energia, Mariana Espécie.
Mas esses novos combustíveis não estão restritos ao Nordeste do país. Em Brasília, começou a circular, em março deste ano, o primeiro ônibus do Brasil movido a hidrogênio verde. Já na cidade paulista de Jacareí, uma fábrica de vidros tem usado o produto.
Ainda falando em combustíveis do futuro que estão no nosso dia a dia, o biometano – feito a partir do gás capturado em aterros sanitários – é distribuído, pela rede de gás, a consumidores de Pernambuco e do Ceará.
“Quando ele chegou, a gente tratou logo de colocar, porque é mais barato”, conta José Valdir do Nascimento, dono de um restaurante no Recife.
Além de limpos, os combustíveis do futuro podem projetar o país no cenário mundial. A avaliação é de Jorge Arbache, professor de Economia da Universidade de Brasília. “O Brasil é um dos países cuja energia é mais limpa. E isso nos dá uma condição especial para a atração de investimentos que precisam de energia, em especial energia limpa. Então, muito mais atrativo do que o Brasil exportar energia é ele atrair investimentos que precisam dessa energia e usar essa energia aqui”.
O programa “O futuro dos combustíveis” vai ar ao ar na próxima segunda (25/5), às 23h, na TV Brasil e no canal da TV Brasil no Youtube.
Ficha técnica
Reportagem: Flavia Peixoto
Reportagem cinematográfica: André Rodrigo Pacheco
Auxílio técnico: Marcelo Vasconcelos
Produção: Cintia Vargas
Edição de texto: Paulo Leite
Edição de imagem e finalização: Márcio Stuckert
Arte: Aleixo Leite, Caroline Ramos e Wagner Maia
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