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Serro: história, tradição e queijo

Caminhos da Reportagem

No AR em 15/06/2026 - 23:00

“Os Modos de Fazer do Queijo Minas Artesanal”, reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, são uma tradição trazida pelos portugueses para o Brasil e mantida há mais de três séculos na região do Serro, em Minas Gerais. Sua elaboração preserva os mesmos elementos – leite, pingo, coalho e sal -, mas a prática ganhou novos contornos de produção que vem rendendo prêmios nacionais e internacionais.  

Queijo da região do Serro

​​​​​​​Queijo da região do Serro - Divulgação/TV Brasil


Tudo começa nas fazendas, com as famílias que produzem o Queijo Minas Artesanal (QMA) da região do Serro. Christiane Brandão, dona da fazenda Maria Nunes, conta que nasceu na roça e é a quinta geração produtora na família. “Eu brinco que eu não escolhi o queijo, o queijo me escolheu”, ela enfatiza. Christiane segue as tradições, mas quer deixar a própria marca. Fez vários cursos de capacitação e lista entre os produtores que conquistaram o selo de indicação geográfica, controlado pela Associação dos Produtores Artesanais de Queijo do Serro. 

Christiane Brandão é produtora do queijo Maria Nunes na região do Serro

Christiane Brandão é produtora do queijo Maria Nunes na região do Serro - Divulgação/TV Brasil


O queijo do Serro recebeu a primeira indicação geográfica de queijo do Brasil, um selo que comprova a procedência e a legitimidade do modo de fazer queijo artesanal. De acordo com Kele Vesperman, analista de negócios do Sebrae-MG, a indicação geográfica é um instrumento de proteção. “As pessoas que virem um selo da indicação geográfica vão saber que esse queijo é produzido no território seguindo regras que são específicas. Isso inibe também a falsificação, que às vezes é muito comum, principalmente para a gente que tem queijos premiados”, explica. 

Serro, cidade de pouco mais de 20 mil habitantes em Minas Gerais

Serro, cidade de pouco mais de 20 mil habitantes em Minas Gerais - Divulgação/TV Brasil


Um estudo, que está em andamento em 12 municípios da região, aponta que o queijo do Serro tem um DNA próprio. A pesquisa é realizada pela Emater de Minas Gerais, em parceria com Universidade Federal de Lavras, Universidade Federal de Minas Gerais e Empresa de Pesquisa Agropecuária de MG. O objetivo, segundo o coordenador regional de pecuária da Emater, José Aparecido Martins, é descobrir o mapa genômico do produto, a partir de análise de amostras dos queijos em todas as fases de maturação. Os certificados, os selos, os prêmios e o reconhecimento de Patrimônio Cultural e Imaterial impactaram diretamente o comércio do queijo do Serro, de acordo com Martins. “Ganhou novos patamares. O produtor tem buscado mais a questão da própria certificação, da habilitação sanitária, do registro sanitário, para que o produto atravesse barreiras”, afirma.  

Outro queijo que coleciona prêmios é o Dona Iaiá. A produtora Estela Mares, filha de Dona Iaiá, morou até os 14 anos na fazenda da família, que fica em Conceição do Mato Dentro, a 163 quilômetros de Belo Horizonte. Saiu de casa aos 15, estudou e trabalhou como servidora pública até 2017, quando decidiu voltar para a fazenda, acompanhada do marido. Ela também buscou capacitações e aprimorou as técnicas de produção do queijo. Para ela, as boas práticas de manejo do gado são fundamentais para a produção de um queijo de qualidade. “Sinceramente, eu gosto muito do nosso queijo, eu acho que ele carrega muitas histórias, a história da minha mãe, ela sempre lutou muito. Aqui também a gente tenta implantar uma história de sucessão”.  

Estela Mares, produtora do Dona Iaiá, integra a Rota do Queijo do Serro 1

Estela Mares, produtora do Dona Iaiá, integra a Rota do Queijo do Serro - Divulgação/TV Brasil


Apesar das muitas conquistas, há também desafios. Christiane Brandão trabalha sozinha na fazenda e explica que enfrenta dificuldade para conseguir mão de obra nas fazendas. Uma outra questão complexa é a sucessão familiar na produção do queijo. A analista do Sebrae, Kele Vespertino, é enfática: “Talvez o maior desafio que a gente tenha e para todas as cadeias de produtos artesanais é a sucessão familiar”. 

Nas fazendas, os turistas podem fazer degustação de queijos premiados nacional e internacionalmente 1

Nas fazendas, os turistas podem fazer degustação de queijos premiados nacional e internacionalmente - Divulgação/TV Brasil


A Cooperativa dos Produtores Rurais do Serro reúne 150 produtores de queijo da região. O presidente da CooperSerro, Francisco de Moura e Silva Neto, afirma que a cooperativa recebe uma produção que varia de 40 a 50 toneladas de queijo por mês. Esses produtos são comercializados para Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro. "Nós temos aqui produtores de queijo com mais de 80 anos, que nasceram no Serro, foram embora e voltaram para o Serro para fazer queijo. Agora, nós temos que despertar isso no jovem, para que ele fique. Sem uma remuneração adequada o jovem não vai ficar”, afirma. 

Queijo da região do Serro 2

​​​​​​​Queijo da região do Serro - Divulgação/TV Brasil


O queijo da região do Serro – da produção à comercialização -, a gastronomia, o turismo na região e os desafios da manutenção das tradições, tudo isso está no Caminhos da Reportagem desta segunda-feira (15/06).

Ficha técnica

Reportagem: Pat Araújo 
Produção: Cleiton Miranda 
Reportagem cinematográfica: Sigmar Gonçalves 
Auxílio técnico: Marcelo Vasconcelos 
Edição de texto: Flávia Lima 
Montagem e finalização de imagem: Rivaldo Martins 
Artes: Aleixo Leite, Caroline Ramos, Wagner Maia

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Criado em 11/06/2026 - 17:25

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