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IA e medicina: a saúde na era dos algoritmos

Caminhos da Reportagem

No AR em 03/08/2026 - 23:00

Dormir melhor, comer melhor, treinar melhor e viver mais. A promessa de uma vida mais saudável nunca esteve tão associada à tecnologia. A inteligência artificial (IA) vem sendo incorporada à medicina e aos aplicativos que acompanham, em tempo real, indicadores de saúde, como sono, frequência cardíaca e desempenho nos esportes. Apesar dos avanços, especialistas alertam que o uso da inteligência artificial na medicina exige cuidados rigorosos com proteção de informações dos pacientes e cautela com a leitura dos dados. 

O médico cardiologista Luiz Sérgio Carvalho, do Hospital Sírio Libanês de Brasília, já enxergava o potencial da tecnologia aplicada à saúde quando a IA ainda era pouco falada. Em 2015, ele iniciou estudos que resultaram no desenvolvimento de uma ferramenta de apoio ao diagnóstico médico. A tecnologia emite alertas e ajuda a direcionar a investigação clínica, o que é importante especialmente no diagnóstico de doenças raras, que costumam levar até sete anos para serem identificadas.  

Médico apresenta a ferramenta de apoio ao diagnóstico médico

​​​​​​​Médico Luiz Sérgio Carvalho apresenta a ferramenta de apoio ao diagnóstico médico - Divulgação/TV Brasil

 

Um dos casos acompanhados pelo médico ocorreu durante a avaliação de um paciente que apresentava sinais discretos de amiloidose cardíaca, doença rara caracterizada pelo acúmulo de proteínas anormais no músculo do coração. A ferramenta emitiu um alerta de alto risco, o que levou à realização de exames que, posteriormente, confirmaram o diagnóstico. O paciente nesse caso era o aposentado Luiz César Pinto de Almeida, que estava com suspeita de infarto antes de investigar a amiloidose. “Eu não estou triste, não estou preocupado, acho que a vida vai do jeito que for e pronto”, afirma. O médico complementa: “Acho que fica claro com esse caso que o sistema ajudou a gente a pedir exames específicos, e encurtou o tempo de diagnóstico dele”. 

Luiz César Pinto de Almeida e o medico dr. Luiz Sérgio Carvalho

Luiz César Pinto de Almeida e o medico dr. Luiz Sérgio Carvalho - Divulgação/TV Brasil

 

O avanço do uso da IA na medicina e na saúde acompanha o crescimento da chamada economia do bem-estar, que em 2024 movimentou mais de US$ 6,5 trilhões em todo o mundo. O setor engloba atividades como academia e práticas esportivas, bem como suplementos e aplicativos de saúde, e superou o faturamento global da indústria farmacêutica no mesmo período.  

A advogada Ana Beatriz Oliveira fala sobre a influência das redes sociais no padrão de beleza e de saúde 1

A advogada Ana Beatriz Oliveira fala sobre a influência das redes sociais no padrão de beleza e de saúde - Divulgação/TV Brasil

 

Entre os adeptos desse novo estilo de vida está a administradora Mara do Valle Abrahão, que aos 72 anos mantém uma rotina de atividades físicas, com corrida, beach tênis, remo, musculação e pilates. Mara corre com acompanhamento de uma assessoria esportiva. “A gente tem planilha, corre com o relógio, né? A planilha vem pro relógio, e depois que a gente termina os exercícios, as informações vão para a nossa conta. Com esse recurso tecnológico, a gente acompanha o desempenho, a evolução e faz ajustes”, explica. 

Mara do Valle Abrahão correndo

Mara do Valle Abrahão correndo - Divulgação/TV Brasil

 

Mas se a tecnologia amplia o conhecimento sobre o funcionamento do próprio corpo, ela também pode provocar ansiedade quando cada dado passa a ser interpretado como um sinal de alerta. O médico nutrólogo esportivo Felipe Xavier afirma que muitas pessoas têm dificuldade para compreender a enorme quantidade de informações produzidas pelos dispositivos de monitoramento.  

O neurocientista e especialista em inteligência artificial Álvaro Machado Dias, professor da Unifesp, cita como exemplo os aplicativos que monitoram o sono. Segundo ele, descobrir que se dorme menos horas ou que o descanso é interrompido diversas vezes durante a noite pode causar inquietação. "Se você converter isso numa espécie de corrida na qual o seu objetivo é chegar a 7 ou 8 horas de sono ininterruptos, perfeitos, talvez você crie um problema maior do que você tem”, afirma.  

O programa Caminhos da Reportagem “IA e medicina: a saúde na era dos algoritmos” explica também o que é racismo algorítmico e destaca também a influência das redes sociais na imagem que temos do nosso próprio corpo e na venda de suplementos alimentares e anabolizantes. O programa será exibido na segunda-feira (03/08), às 23h, na TV Brasil. 

A jornalista Maria Paula de Andrade Sato fala sobre racismo algorítmico e pressão estética nas redes sociais 1

A jornalista Maria Paula de Andrade Sato fala sobre racismo algorítmico e pressão estética nas redes sociais - Divulgação/TV Brasil


  
Ficha técnica 

Reportagem: Marieta Cazarré 
Produção: Cleiton Miranda e Pat Araújo 
Reportagem cinematográfica: André Rodrigo Pacheco, Robson Moura e Sigmar Gonçalves 
Apoio à reportagem cinematográfica: Manoel Lenaldo 
Auxílio técnico: Hugo Madureira, Marcelo Vasconcelos e Tiago Pinto  
Apoio ao auxílio técnico: Edivan Viana 
Edição de texto: Flávia Lima 
Montagem e finalização de imagem: Rivaldo Martins 
Artes: Aleixo Leite, Caroline Ramos e Wagner Maia 

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Criado em 30/07/2026 - 17:45

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