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Bioeconomia no coração da Amazônia

Caminhos da Reportagem

No AR em 06/07/2026 - 23:00

Há 34 anos, acontecia na cidade do Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.  Um evento histórico internacional no qual se reconheceu a necessidade de conciliar progresso econômico com preservação ambiental, o que ajudou a popularizar o conceito de desenvolvimento sustentável. 

E um dos pilares desse conceito se chama bioeconomia. É um sistema econômico que substitui recursos fósseis por biológicos, promove inclusão social com respeito aos conhecimentos dos povos tradicionais e prioriza ciência e tecnologia para o desenvolvimento de bioprodutos.

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Divulgação/TV Brasil

 

No estado do Pará, o Museu de Ciência da Amazônia (MuCA) tem trabalhado nesse sentido.  Com aporte de recursos do Sebrae, é o primeiro Laboratório Avançado de Selva no país voltado para a preservação da biodiversidade e a pesquisa genética da Amazônia.

Para se ter ideia do potencial da região, um estudo do instituto de pesquisa WRI Brasil mostra que a bioeconomia na Amazônia Legal gera um Produto Interno Bruto (PIB) de mais de R$ 12 bilhões por ano e 347 mil empregos. Com novos investimentos, a região será capaz de ter um PIB de R$ 38,6 bilhões e 833 mil empregos até 2050. 

Esse é o tema do Caminhos da Reportagem desta semana.  Nossa equipe viajou para o Pará e conheceu alguns desses projetos que se tornaram exemplos de negócios por meio da bioeconomia. 

Novos projetos, novas empresas
  
A Boto Gelato é um desses empreendimentos. Fundada em 2016 em Santarém pelo engenheiro de produção Tiago Silva, a gelateria produz gelatos com ingredientes da região, como cupuaçu, açaí, jambu, cumaru e castanha-do-Pará.  "Meu sonho é poder levar esses sabores ao conhecimento do máximo de pessoas possível para que elas sejam tão apaixonadas como eu sou pela nossa cultura", enfatiza Tiago. Hoje, ele tem três lojas na cidade.

Tiago Silva e seu gelato de Carimbó

Tiago Silva e seu gelato de Carimbó - Divulgação/TV Brasil


Ainda em Santarém fica o Viveiro Florestal da Ardosa. Proprietários do espaço, a médica veterinária Adna Azevedo e o biólogo Sid Matos começaram primeiro com a produção de mudas de pimentas — daí o nome da empresa.  Com o passar do tempo, o casal decidiu investir em mudas nativas da Amazônia para empresas de agrofloresta e projetos de recuperação de áreas degradadas. Hoje, eles têm mudas de mais de 110 espécies, como cumaru, cacau, paricá, jatobá e ipê amarelo.      

Adna e Sid apostam em mudas de reflorestamento para manter a floresta em pé

Adna e Sid apostam em mudas de reflorestamento para manter a floresta em pé - Divulgação/TV Brasil


Já em Belterra, nossa equipe foi até ao MuCa conversar com a farmacêutica Melissa Karen Lage. Ela é sócia da Mahá Biocosméticos, que surgiu, em 2020, durante a graduação na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). A empresa produz xampus, condicionadores e outros produtos para cabelos. " Hoje, todos os óleos e manteigas que utilizamos são 100% paraenses."

Os biocosméticos feitos a partir de produtos amazônicos

Os biocosméticos feitos a partir de produtos amazônicos - Divulgação/TV Brasil


Uma das fornecedoras de matérias-primas para a empresa Mahá  é a associação Amélias da Amazônia. A instituição é muito conhecida pela extração de óleo de andiroba, mas agora também produz sabonetes, velas e incensos feitos do óleo. E os negócios têm se expandido, como revela Marileide da Silva Monteiro, uma das fundadoras da associação. "Era um sonho da gente também trabalhar com criação de abelhas. Hoje, a gente já tem 15 caixas de produção de mel."

Produção manual de óleo de andiroba pelas Amélias da Amazônia na Flona do Tapajós

Produção manual de óleo de andiroba pelas Amélias da Amazônia na Flona do Tapajós - Divulgação/TV Brasil


O Caminhos da Reportagem mostra ainda como a biodiversidade da Amazônia tem impulsionado atrações turísticas que geram emprego e renda para os moradores da região. A hospedagem da Casa do Elton é um exemplo disso.  Além de saborear a comida regional, os visitantes podem desfrutar de várias opções de lazer, como passeio em trilhas, pesca esportiva, oficina de biojoias ou aprender a dançar o carimbó.

O turismo comunitário familiar na Flona do Tapajós

​​​​​​​O turismo comunitário familiar na Flona do Tapajós - Divulgação/TV Brasil



Ficha técnica:
 
Reportagem: Ana Graziela Aguiar 
Apoio à reportagem: Paulo Leite 
Produção: Acácio Barros e Ana Graziela Aguiar 
Apoio à produção: Rafael Cardoso e Thiago Padovan 
Reportagem cinematográfica: André Rodrigo Pacheco 
Auxílio técnico: Edivan Viana 
Apoio à reportagem cinematográfica: JM Barboza e Sigmar Gonçalves  
Técnico operacional: Yuri Ledesma 
Colaboração técnica: Daiton Matos e Rafael Carvalho 
Edição de texto: Cátia Rodrigues 
Edição e finalização de imagem: Rodrigo Botosso 
Arte: Aleixo Leite, André Maciel e Caroline Ramos

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Criado em 30/06/2026 - 13:30

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