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Designer Carlos Sobral fala sobre seu reconhecimento internacional

O empresário já teve suas criações expostas no Museu do Louvre

Conversa com Roseann Kennedy

No AR em 20/08/2018 - 21:15

Artista fluminense, Carlos Alberto Sobral é referência quando se trata do design brasileiro de bijoux e objetos decorativos. Com peças multicoloridas que fazem referência à pop art e artistas como Polock e Kandinsky, suas criações fizeram sucesso primeiro no exterior e depois conquistaram o Brasil. Sobre essa experiência internacional, Sobral avalia: “Eu tenho a ousadia, o calor, o colorido dos trópicos, e Paris aportou a elegância da cultura francesa. E isso dá uma química muito boa. Eu cheguei com um bom produto e vendendo, mas a medida que fui entendendo o gosto daquele mercado, ele foi sendo lapidado”.

Nesta entrevista ao Conversa com Roseann Kennedy, ele fala dos percalços do início de sua carreira, de sua arte e dos desafios de ser empreendedor no país. “Ser empresário no Brasil é coisa de maluco”, lamenta. Com a experiência de quem já teve que recomeçar inúmeras vezes no ramo, o empresário diz que não tem medo de ousar e dispara: “Para mim, não tem outro caminho. É como se eu estivesse em uma guerra de costas para o rio. Eu só posso abrir caminho para a frente, brigando.”

Designer e empresário de sucesso, Carlos Sobral declara: “Sempre fui um pouco marginal no meu trabalho”.
Designer e empresário de sucesso, Carlos Sobral declara: “Sempre fui um pouco marginal no meu trabalho”. - Divulgação/TV Brasil

Hoje, sua marca tem 21 lojas dentro e fora do Brasil, três delas em Paris. Sobral já teve suas peças usadas em videoclipe da cantora norte-americana Beyoncé e produziu exclusivamente para desfiles do designer de moda Karl Lagerfeld. Diz que ele próprio não reconhecia a importância de seu trabalho até conhecer o estilista alemão. “Quando eu fiz um desfile com ele, ele me tratou como igual”, lembra, lamentando que, infelizmente, no Brasil não há a mesma cultura. “O criador não é visto da mesma forma”. E completa: “Eles têm um olhar que te dá a importância do trabalho que você está fazendo. E o meu trabalho merece respeito”.

O reconhecimento internacional do designer também veio por meio exposição de suas peças no Museu do Louvre, em Paris, e na sua inclusão no acervo permanente do Brooklyn Museum de Nova Iorque. Sobral conquistou cinco vezes o 'Etoile de Mode', o equivalente ao Oscar da Indústria de acessórios e teve suas obras encomendadas por nomes como Valentino e Chanel. “Queria fazer um negócio bem feito, não queria só fazer bijuteria”. Citando o livro Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach, completa: “Eu não queria só voar para pegar as sobras dos barcos. Eu queria voar literalmente”.

Hoje, Sobral divide o tempo entre a criação artística e os trabalhos sociais na baixada fluminense. Sobre o rótulo de quem mantém um espírito hippie por causa do início de sua carreira, quando estendia seu artesanato em portas de restaurantes, ele declara com bom humor: “Ou eu nunca fui, ou sempre fui e continuo sendo (hippie). Porque eu sempre fui criativo. Sempre fui um pouco marginal no meu trabalho. Eu sempre trabalhei com as mãos, sempre criando coisas e vendendo”. Para ele, é possível buscar formas de vida fora do modelo convencional, onde as pessoas vivem apenas de “casa para o trabalho e do trabalho para a casa”. O designer diz que admira quem faça isso, mas que esse modelo não foi feito para ele. “Então se hippie é ter essa ideia, eu tenho essa ideia até hoje. Para mim, o sonho não acabou. Eu continuo vivendo da mesma maneira. Eu vivo do trabalho manual, vivo da criação que eu faço. Eu acredito na criatividade”.

Criado em 17/08/2018 - 15:45

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