A gente poderia falar agora sobre o golaço do Vini Jr., na terça-feira (18), na vitória do Real Madrid sobre o Benfica, no jogo de ida da fase preliminar da Champions League, mas o assunto hoje é outro, infelizmente: mais uma denúncia de racismo sofrido pelo jogador.
Vinícius Júnior fez um belo gol no início do segundo tempo do jogo, garantindo assim a vitória do Real Madrid sobre o Benfica no Estádio da Luz, em Lisboa, e se tornou o segundo maior artilheiro brasileiro na história da Champions League. Mas o feito foi ofuscado pela confusão que começou após o jogador brasileiro comemorar com a bandeirinha de canto e receber um cartão amarelo.
Vini não entendeu o motivo da penalidade e questionou o árbitro. Momentos depois, o atacante argentino Gianluca Prestianni cobriu a boca com a camisa e, neste exato momento, teria proferido insultos racistas contra Vini Jr. que denunciou ao árbitro. Foi acionado então o protocolo antirracismo da FIFA.
O jogo seguiu com Vini Jr. sendo hostilizado pela claque da casa sempre que tocava na bola. O craque francês Kylian Mbappé, que diz ter escutado as ofensas racistas contra o Vini Jr., aparece indignado chamando Prestianni de racista várias vezes. No fim do jogo, Mbappé disse que Gianluca cobriu a boca para chamar Vini de macaco por cinco vezes. Mbappé também cobrou a exclusão do argentino no duelo de volta em Madri. Para o francês, o jogador do Benfica não merece estar em campo.
Já o argentino Prestianni negou ter sido racista. Ele disse “Quero esclarecer que em nenhum momento dirigi insultos racistas contra o jogador Vinícius Júnior, que infelizmente interpretou mal o que pensou ter ouvido. Nunca fui racista com ninguém e lamento as ameaças que recebi dos jogadores do Real Madrid”.
Vinícius Júnior escreveu sobre o que aconteceu. Ele disse “Racistas são acima de tudo covardes. Precisam colocar a camisa na boca para demonstrar como são fracos. Mas eles têm ao lado deles a proteção de outros que teoricamente têm a obrigação de punir. Nada do que aconteceu hoje é novidade na minha vida e da minha família. Eu recebi um cartão amarelo por comemorar um gol, ainda sem entender o porquê disso. Do outro lado, apenas um protocolo mal-executado e que de nada serviu. Não gosto de aparecer em situações como essa, ainda mais depois de uma grande vitória e que as manchetes têm que ser sobre o Real Madrid, mas é necessário.”
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) se solidarizou com Vinícius Júnior, reforçou que racismo é crime, é inaceitável e não pode existir no futebol e nem em lugar algum, e destacou a coragem do jogador de acionar o protocolo.
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