Digite sua busca e aperte enter

Compartilhar:

Entenda a sucessão no governo do Irã

Repórter Brasil Tarde

No AR em 02/03/2026 - 12:45

Com a morte do líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei no cargo desde 1989, o Irã iniciou a sucessão no comando do regime. O Aiatolá Alireza Arafi assumiu como membro jurista do Conselho de Liderança do Irã. O conselho reúne o presidente da República, Masoud Pezeshkian, e o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei. O colegiado passa a chefiar o país de forma interina até a escolha do novo líder supremo.

O Irã segue um regime teocrático, em que o poder político é exercido por líderes religiosos. A população não elege diretamente a principal autoridade do país. Um órgão eleito composto por 88 clérigos seniores, conhecido como Assembleia de Peritos, selecionará o próximo líder. Entre os nomes citados para a sucessão, Alireza Arafi aparece como um possível herdeiro do cargo. Veículos iranianos o descrevem como um quadro que combina autoridade religiosa e peso político, traço típico da estrutura de poder do país.

Outro nome recorrente é Mohammad Mehdi Mirbageri, um clérigo ultraconservador que sustenta um discurso hostil ao Ocidente. Também circula o nome de Hassan Khomeini, neto do fundador da República Islâmica, o Aiatolá Ruhollah Khomeini. Aliados o classificam como moderado. Por fim, Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, com forte influência política e proximidade com setores das Forças Armadas, como a Guarda Revolucionária.

Análise 


Para o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Fernando Brancoli, a sucessão de Khamenei é uma incógnita por conta da complexidade do país.

“A gente não tem muita certeza ainda do que pode acontecer com o sucessor do Aiatolá, principalmente porque o Irã é uma sociedade bastante complexa e a quantidade de processos, de elementos para a tomada de decisão é bastante grande. O Aiatolá não tem poder absoluto, então, novas figuras de liderança teriam que negociar com a Guarda Revolucionária, com os ministérios e com uma série de outros espaços.

Tem uma tentativa agora, eu diria, de analistas, de tentar fazer uma comparação com o caso da Venezuela, onde, após o sequestro de Maduro, os Estados Unidos arrumaram uma negociação com a vice-presidente, com a Delcy. Me parece um pouco difícil esse processo, principalmente porque o Irã se sente muito mais atacado, dentro de um contexto de ataques maiores do que foi o caso da Venezuela. 

O Irã já esteve conflito aberto com os Estados Unidos e com Israel por duas vezes ao longo dos últimos dois anos. E interpreta, de certa forma, o momento de negociação, como o que estava acontecendo até a semana passada, como uma estratégia americana para ganhar tempo, produzir mais munição e voltar ao ataque.

Me parece que há uma certa centralidade na narrativa iraniana, neste momento, de garantir que, agora, esse tipo de conflito precisa ser mais violento, ele precisa levar mais danos aos Estados Unidos. O que, por exemplo ajuda a explicar porquê do Irã estar atacando uma série de instalações ao longo do Oriente Médio.” 

*Restrição de uso: Este conteúdo apresenta imagens de terceiros, impedindo sua publicação ou exibição em outras plataformas digitais ou canais de televisão que não sejam de propriedade da TV Brasil. 

Clique aqui para saber como sintonizar a programação da TV Brasil.

Criado em 02/03/2026 - 15:15

Últimas

O que vem por aí