Segundo um estudo do Instituto Sou da Paz, duas em cada três corporações policiais brasileiras têm normativas sobre o uso de redes sociais pelos agentes. No entanto, a pesquisa aponta que essas regulamentações ainda são frágeis e sem mecanismos eficazes de aplicação.
O relatório do Instituto Sou da Paz chama a atenção para a questão dos influenciadores que usam a imagem das corporações policiais para promoção pessoal. Essa preocupação surge após casos concretos, como o do delegado de São Paulo, que chegou a encenar operações para filmar e colocar nas redes sociais e se elegeu deputado federal impulsionado por esse tipo de conteúdo. Há ainda casos de policiais que obtêm ganhos financeiros com esse tipo de conteúdo nas redes sociais.
A maioria das polícias civis e militares, duas em cada três, já têm regras para regular o uso das redes sociais pelos policiais, mas uma em cada três corporações ainda não tem nenhum tipo de regulamentação. E, mesmo entre as que têm regras, o relatório aponta que ainda existem lacunas que precisam ser aperfeiçoadas. E o Instituto Sou da Paz chama a atenção também para a necessidade de uma fiscalização efetiva para a aplicação dessas regulamentações onde elas já existem.
“Se a gente não regula o uso de redes sociais para policiais, a gente tem um risco de ter um uso individual e político da própria instituição policial e isso coloca em xeque a polícia. Então, por que que é importante regular? Porque a polícia é uma instituição pública, que usa armas em nome da sociedade, que precisa ser protegida de um uso político-partidário, de monetização desse uso individual por parte dos policiais”, afirma Carolina Ricardo, do Instituto Sou da Paz.
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