A morte da estilista Zuzu Angel completa, neste 14 de abril, 50 anos. Ela foi vítima de um atentado que simulou um acidente de carro aqui no Rio de Janeiro. Zuzu Angel cobrava da ditadura militar o paradeiro do filho, Stuart Angel, desaparecido em 1971, durante os anos de chumbo.
Os últimos cinco anos de vida de Zuzu Angel foram marcados por uma busca incessante pelo corpo do filho Stuart, assassinado pelo Estado brasileiro em 1971 durante a ditadura militar. “O governo do Médici foi um governo tão cruel que foi de uma perversidade paralisante. Ninguém teve coragem no governo Médici, a Zuzu foi a única. O Carlos Heitor Cony na época disse: Zuzu Angel é a única mãe de mártir no Brasil”, lembra Hidelgard Angel, jornalista e filha de Zuzu.
Stuart Angel fez parte do Movimento Revolucionário 8 de Outubro que se opunha à ditadura. Foi preso e assassinado em maio de 1971 sob tortura por agentes do Centro de Informações da Aeronáutica na Base Aérea do Galeão.
“Ela, quando o Stuart morreu, ela fez da moda, como da moda que ela vestia o estandarte da sua agonia. Ela se vestia de luto, e a roupa preta, a roupa do luto preta, véu...preto, ela vestia”, conta Hidelgard.
Três meses depois da morte do filho, ela realizou um desfile-protesto no Consulado do Brasil em Nova York e foi para as manchetes dos jornais. “Foi o primeiro desfile de protesto político”, lembra.
Zuzu conseguiu o engajamento de celebridades de Hollywood, apelou a políticos e artistas para que ajudassem a localizar o corpo de Stuart. “Ela teve, através da família do meu pai, acesso e contato com os congressistas americanos” conta.
A ditadura brasileira continuava com a versão do desaparecimento e não deixou de espalhar cartazes com o rosto de Stuart e a mensagem 'Procurado'. Zuzu morreu em abril de 1976 sem informações sobre o corpo do filho. O carro que ela dirigia foi jogado para fora da pista, capotou e caiu estrada abaixo na saída do túnel que hoje leva o nome Zuzu Angel.
As informações sobre o paradeiro de Stuart que Zuzu Angel tanto buscou em seus últimos cinco anos de vida foram reveladas ao país em abril de 2014 no relatório da Comissão Nacional da Verdade. Em 1971, Stuart Angel foi submetido à tortura intensa por militares do Centro de Informações da Aeronáutica na Base Aérea do Galeão. Ele foi amarrado à traseira de um jipe e depois arrastado. Os torturadores forçaram o rosto de Stuart contra o cano de descarga do veículo.
A certidão de óbito de Zuzu foi retificada em agosto do ano passado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. O documento agora reconhece que a morte da estilista foi violenta e causada pelo Estado brasileiro durante a ditadura militar.
“Nesses 50 anos nós nunca paramos de prestigiar a memória nem da mamãe e assim como a memória do Stuart. Não só porque eles são pessoas familiares nossos, mas porque isso é obrigação nossa de manter o Brasil alerta sobre o que pode acontecer num governo autoritário, totalitário, sanguinário como foi a ditadura civil-militar do Brasil durante 20 anos. Então nós temos por obrigação cidadã de dedicar nossas vidas a isso”, alerta Hildergard
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