Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (11) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com o Instituto Datafolha, mostrou que o medo da violência já é universal na sociedade brasileira, fazendo as pessoas evitarem uma série de situações que seriam comuns e mudarem o seu cotidiano. Além disso, os dados mostram que a sensação de insegurança atinge de forma diferente a população de acordo com gênero, raça e classe social.
O medo da violência faz parte da rotina de 96% da população. Segundo a pesquisa, os maiores medos relatados pelos entrevistados são golpe pela internet ou celular (83,2%); roubo à mão armada (82,3%); ser morto durante um assalto (80,7%); ter o celular furtado ou roubado (78,8%); ser roubado ou assaltado na rua (78,6%); ser vítima de bala perdida (77,5%); ter a residência invadida (76,1%); e ser assassinado (75,1%).
Os dados mostram que a percepção de insegurança se dá de forma desigual na sociedade. As mulheres têm mais medo do que os homens em todas as 13 situações listadas pelo levantamento. Mas o medo de ser vítima de agressão sexual ganha protagonismo, preocupando 82,6% das mulheres, contra 48,6% dos homens. A liberdade é restringida, e 56,8% das mulheres têm medo de andar pela vizinhança depois de anoitecer (homens são 37,7%). Além disso, o medo de agressão física por parceiro íntimo ou ex-parceiro assombra 48,6% das mulheres, contra 35,4% dos homens.
O medo também atinge a população negra de forma mais intensa, especialmente nos casos de violências que podem levar à morte. Veja as diferenças com relação aos maiores medos:
Ser vítima de bala perdida
Negros – 80,3%
Brancos – 71,9%
Sofrer agressão física por parceiro íntimo ou ex-parceiro
Negros – 44,3%
Brancos – 37%
Ser assassinado
Negros – 77,4%
Brancos – 71%
Ser vítima de agressão sexual
Negros – 68,3%
Brancos – 62,1%)
Morrer durante um assalto
Negros – 82,5%
Brancos – 77,8%
Agressão física por escolha política ou partidária.
Negros – 61,4%
Brancos – 56,7%
Ao olhar para as classes econômicas, as que estão nas classes D e E estão mais vulneráveis à violência urbana e têm mais medo do que as classes A e B. Entre os mais ricos, os maiores medos são o golpe digital (78,8%); roubo à mão armada (78,7%); ser morto durante um assalto (77%); e ter o celular futado ou roubado (76,8%).
Entre os mais pobres, os maiores medos são o roubo à mão armada (85%); o medo de golpe digital (84,5%); ser morto durante um assalto (82,9%); e ser vítima de bala perdida (82,3%).
Além da sensação de medo constante, a pesquisa mostra que o cotidiano de violência faz com que a população reorganize hábitos e comportamentos. As alterações mais frequentes são mudar um percurso rotineiro, deixar de sair à noite e deixar de sair com celular. As pessoas também passam a retirar aliança e outros acessórios para andar na rua e deixam de adquirir um bem por medo de roubo ou furto. O levantamento mostra ainda que o medo é maior entre os moradores de áreas dominadas por facções criminosas e milícias.
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