Depois de muita preparação diplomática e expectativa da imprensa, aconteceu o aguardado encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Casa Branca. Os dois líderes elogiaram as tratativas, que tiveram como foco tarifas comerciais, terras raras e o combate ao crime organizado. Do lado brasileiro, Lula reforçou que está disposto a conversar sobre todos os temas, mas destacou que democracia e soberania nacional não estão em discussão.
Lula já de volta ao Brasil. O avião com a comitiva brasileira pousou na madrugada desta sexta-feira (8) na Base Aérea de Brasília. Antes mesmo de retornar dos Estados Unidos, o presidente avaliou a reunião de aproximadamente três horas e disse estar feliz e otimista com o resultado.
Segundo o governo brasileiro, a duração do encontro foi interpretada como um sinal de interesse dos norte-americanos na pauta apresentada pelo Brasil. A conversa a portas fechadas fez com que os presidentes não realizassem os tradicionais pronunciamentos à imprensa no Salão Oval.
Lula concedeu entrevista coletiva na embaixada brasileira em Washington e explicou que pediu à Casa Branca para que as declarações públicas fossem feitas apenas após a reunião, para priorizar a discussão da agenda bilateral. Após o encontro, Donald Trump disse que a reunião foi boa e elogiou o brasileiro, dizendo que Lula é dinâmico e inteligente.
Entre os temas discutidos estiveram as tarifas aplicadas aos produtos brasileiros, o combate ao crime organizado e os minerais críticos, incluindo as terras raras. Outros assuntos, como o BRICS, ficaram fora da conversa por falta de tempo. Mas, segundo Lula, foram contemplados em um documento entregue diretamente a Trump.
Outro documento entregue pelo presidente brasileiro foi o acordo firmado em 2010 entre Brasil, Turquia e Irã, apresentado como exemplo de negociação para evitar o desenvolvimento de armas nucleares. Lula também afirmou acreditar no diálogo como forma de resolver conflitos internacionais.
A reunião contou com ministros dos dois países e com o vice-presidente norte-americano. Após o encontro, Trump publicou em uma rede social: “Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil. Discutimos diversos temas, incluindo o comércio e especificamente tarifas. A reunião foi muito boa. Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave.”
Na coletiva realizada na embaixada brasileira em Washington, Lula falou sobre o combate ao crime organizado. “Então disse pra ele que nós estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os países da América do Sul, com todos os países da América Latina e com todos os países do mundo pra gente criar um grupo forte de combate ao crime organizado. Não é hegemonia de um país ou de outro querer combater o crime organizado. É uma coisa que tem que ser compartilhada com todos e o Brasil tem expertise”, disse o presidente.
Uma das preocupações do governo brasileiro é evitar que os Estados Unidos classifiquem organizações criminosas como terroristas, o que poderia abrir brechas para questionamentos sobre a soberania nacional.
Sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, Lula afirmou que o Brasil apresentou números mostrando deficit na balança comercial. Já Trump reiterou que considera elevadas as tarifas brasileiras.
Em relação aos minerais críticos e às terras raras, Lula afirmou que o Brasil não tem preferências. “O que nós queremos é fazer parceria, compartilhar com as empresas americanas, chinesas, alemãs, japonesas, francesas, quem quiser participar conosco para ajudar a gente a fazer a mineração, para fazer a separação e para produzir a riqueza que essas terras raras nos oferecem”, enfatizou.
Ao final, Lula se mostrou muito satisfeito com a reunião e afirmou que o clima foi descontraído. Ele até brincou com a certeza da seleção brasileira levando a Copa do Mundo este ano e aconselhou Trump a sorrir mais. “Acho que foi uma reunião importante para o Brasil e importante para os Estados Unidos. Eu sempre acho que a fotografia vale muito. E vocês perceberam que o presidente Trump rindo é melhor do que ele de cara feia”.
Mais tarde, o presidente Lula reforçou em postagem nas redes sociais que o combate ao crime organizado foi um dos temas que dominaram a conversa com Trump. Ele elogiou o trabalho da Polícia Federal no combate ao tráfico de drogas e de armas. Disse ainda que criou uma base em Manaus com a participação de representantes das polícias de países da América do Sul para combater o crime organizado, o tráfico de armas e drogas na fronteira brasileira. E que se os Estados Unidos quiserem participar, já estão convidados.
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