Um em cada quatro brasileiros não sabe que o câncer pode ser prevenido. É o que diz uma pesquisa inédita que entrevistou mais de seis mil brasileiros. E foi feita pela Umane e Vital Strategies, com apoio do Instituto DeVive e parceria técnica do Inca.
O Abel Vivas perdeu mais de 60 kg em cerca de três anos. A estratégia utilizada foi alimentação saudável e prática de atividade física. “Em primeiro lugar saúde. Eu não tenho mais problema de me cansar por qualquer coisa, qualquer motivo, eu diminuí os remédios que eu comecei a tomar por conta da hipertensão, eu já estou diminuindo por conta da perda de peso. E autoestima melhora, tudo melhora. Foram só ganhos”, conta ele.
O excesso de peso é um dos principais riscos para o desenvolvimento de câncer. Pelo menos 13 tipos da doença estão associados à obesidade, segundo o Instituto Nacional de Câncer. O que chama a atenção é que mais da metade dos brasileiros adultos não reconhecem o sedentarismo como um fator de risco. Os dados fazem parte de um estudo que analisou as percepções da população sobre o câncer.
O relatório mostra que em cada 4 brasileiros adultos, 1 não sabe que a doença pode ser prevenida.
“As evidências científicas já mostram que o câncer é uma doença prevenível e que cerca de 40% dos casos de câncer podem ser prevenidos por fatores de risco modificáveis, pelo modo de vida, mudando o comportamento”, afirma Luciana Grucci, chefe da Atanac/Inca.
Os fatores de risco mais citados pelos entrevistados foram fumo (90,5%), herança genética (89,4%), exposição excessiva ao sol (88,3%) e álcool (71,3%). Já os menos conhecidos foram o consumo de carne vermelha (27,5%), sedentarismo (48,3%) e baixa ingestão de frutas e verduras (53,5%).
A nutricionista do Inca alerta que outra ameaça pouco percebida pelos consumidores são os alimentos embutidos e ultraprocessados.
“A carne processada tem uma recomendação diferente da carne vermelha. A carne vermelha tem um consumo seguro de até 500 g por semana. Já a carne processada: presunto, linguiça, salsicha, os famosos embutidos, a recomendação é evitar esse tipo de alimento. Não existe uma quantidade segura de consumo de carne processada para a prevenção do câncer. As evidências mostram que qualquer quantidade aumenta o risco para câncer colorretal”, explica Luciana Grucci.
O estudo também mostrou que a população com baixa renda é a que tem mais dificuldades de adotar hábitos saudáveis. Entre os que ganham acima de R$ 3 mil, 40% fazem algo para combater o excesso de peso. Já entre os que recebem menos de R$ 2 mil, a intenção de combater o excesso de peso cai para cerca de 23% (22,9%).
“A gente precisa taxar de forma adequada esses bens que fazem mal e, ao contrário, diminuir, baratear, os produtos que fazem bem, como o alimento saudável, a comida de verdade, o arroz e feijão no prato. Um acesso melhor às frutas, às verduras, aos legumes. Isso é uma política pública sustentável”, cobra Luciana Vasconcelos, responsável técnica pela pesquisa.
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