A operadora da rede elétrica de Cuba começou a restabelecer lentamente o fornecimento de energia, nesta terça-feira (7). A ilha sofreu um apagão nacional na segunda-feira, o terceiro este ano e o oitavo desde outubro de 2025. Há meses os quase 11 milhões de cubanos sofrem com apagões que duram de 15 a 30 horas devido a uma rede elétrica precária e a um bloqueio imposto pelos Estados Unidos.
Quase dois terços do país já estavam sem energia quando a rede elétrica entrou em colapso na segunda-feira. Os moradores, grande parte sem comunicação e acostumados à falta de eletricidade, mal perceberam a diferença. Eles reclamam do calor e do excesso de mosquitos que não os deixam dormir.
Ariel Sotelo, morador de Havana, disse que estava sem energia desde o dia anterior e que a falta de sono era visível em seu rosto.
Outro morador, Omar Ortega, disse que o calor e os mosquitos estavam insuportáveis e que não sabe até quando as pessoas vão aguentar.
O governo Trump suspendeu os embarques de combustível da Venezuela e do México para Cuba este ano e ameaçou impor tarifas aos países que fornecessem petróleo à ilha. Os Estados Unidos sustentam que Cuba, a 145 km da costa da Flórida, representa uma ameaça à segurança norte-americana e afirmam que as sanções são necessárias para forçar uma mudança no governo, uma política de longa data de Washington em relação à ilha. O governo cubano nega e diz que deseja relações civilizadas com os Estados Unidos.
Os dois países, que estavam com relações rompidas desde 1961, voltaram a trocar embaixadores em 2014, nos governos de Barack Obama e Raúl Castro. Relações que voltaram a ficar estremecidas agora no governo Trump, quando o secretário de Estado, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, chamou a ilha de Estado falido e exigiu mudanças no governo em troca de uma ajuda equivalente a pouco mais de R$ 500 milhões em medicamentos e alimentos para a população cubana.
Sob pressão, o governo propôs à Assembleia Nacional Cubana medidas abrangentes, com privatização de uma vasta área da economia socialista do país. As propostas foram apresentadas pelo primeiro-ministro Manuel Marrero e, se aprovadas, abrirão as portas para o desenvolvimento imobiliário privado na ilha caribenha, transformariam empresas estatais em empreendimentos comerciais privados com ações e participações acionárias e permitiriam a entrada de bancos privados no setor financeiro cubano, dominado pelo Estado.
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