No dia 8 de julho é celebrado o Dia Mundial da Saúde da Pele. E aqui no Brasil, uma pesquisa mostrou que as pessoas estão mais interessadas na rotina de cuidados, mas ainda procuram pouco por orientação médica especializada. Pior: as dicas da internet imperam, mas podem trazer riscos à saúde.
Febre nas redes sociais, o skincare - cuidado com a pele, em português - envolve a recomendação de produtos usados em uma série de etapas. Milhões de pessoas seguem tudo à risca, baseados não só no que os médicos dizem, mas no que influenciadores e criadores de conteúdo indicam.
“Há um exagero, sem dúvida. Eu acho que esse exagero tá diretamente atrelado a interesses econômicos. A gente nunca teve tanta informação e tanta desinformação ao mesmo tempo. E aí entra a importância do profissional especializado, no caso do que a gente tá conversando, da medicina, da dermatologia”, afirma Carlos Barcaui, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Uma pesquisa lançada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia mostra que, entre os brasileiros na faixa etária dos 17 aos 24 anos, 68% já testaram produtos e procedimentos na pele, cabelos ou unhas que viram nas redes sociais. Ao mesmo tempo que quase a mesma proporção, 70%, nunca foram a um dermatologista.
Entre os entrevistados que buscam informações sobre cuidados com a pele, a internet é bem mais popular do que o consultório dos médicos especialistas. Apenas 14% vão até um dermatologista, enquanto 41% se informam por meio de redes sociais, YouTube ou Google.
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia, “atualmente você tem uma onda de produtos vindo do Oriente, que tão fazendo muito sucesso e você vê, às vezes, veículos inadequados sendo utilizados na pele do jovem. Produtos oleosos numa pele acneica. Aquilo acaba por agravar um quadro de acne. Só que a propaganda é muito forte em cima disso”.
A realidade da maioria dos brasileiros está distante disso. Mais da metade da população nunca foi a um dermatologista. Mesmo para quem tem acesso aos serviços, o cenário é desigual em relação à classe social e à cor da pele. O percentual de quem já foi a um dermatologista é bem maior nas classes A e B do que nas classes C, D e E. No recorte racial, a disparidade é ainda maior. A proporção é de 58% entre pessoas brancas e 41% entre pessoas negras. Uma diferença de quase 20 pontos percentuais.
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