Estamos no Julho Negro, de articulação internacional contra a militarização, o racismo e o apartheid no mundo. E a segunda edição do relatório Blackwashing, produzido pela organização não governamental ACT Promoção da Saúde, analisa como as estratégias de marketing buscam atrair consumidores, mas não refletem nas estruturas das empresas nem nas práticas corporativas.
Propagandas e ações de marketing protagonizadas por pessoas negras não são suficientes para enfrentar desigualdades. Programas de contratação e valorização de pessoas negras precisam ter impacto nos quadros de direção das empresas. Ações que não têm como objetivo realmente combater o racismo estrutural podem ser blackwashing.
O termo significa o uso da luta antirracista por empresas sem que elas se comprometam efetivamente com a causa e se beneficiem dela. A palavra passou a ser mais utilizada após a morte de George Floyd, nos Estados Unidos, em 2020. O caso comoveu o mundo e impulsionou o movimento Black Lives Matter.
No Brasil, o assassinato de João Alberto em uma unidade do Carrefour, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no mesmo ano, também pressionou as empresas a adotarem políticas antirracistas.
“Essas empresas, elas incorporam, né? Cooptam discursos, símbolos, pautas antirracista para construir uma imagem de compromisso com a equidade racial, né? Porém, mantém práticas, mantém produtos, mantém modelos de negócio que continuam reproduzindo as desigualdades, produzindo até, né, impactos negativos sobre a saúde dessa população”, diz Denize Amorim, da ACT Promoção da Saúde.
Sob o discurso da valorização da cultura negra, as empresas aumentam os lucros e direcionam produtos que têm impacto na saúde das pessoas. O relatório mostra que o racismo é fator relevante na prevalência de doenças como hipertensão, diabetes, obesidade e mortalidade materna, que são maiores na população negra.
“A gente vê que existe uma tentativa de ter um mercado consumidor negro muito grande, então, a gente está falando de, né, produtores de alimentos não saudáveis, bebidas alcoólicas, alimentos não estruturados, processados, bebidas açucaradas, que continuam promovendo os seus produtos que fazem mal para saúde numa forma geral, saúde sanitária, saúde planetária e, ao mesmo tempo, eles não estão desenvolvendo as ações que eles estariam desenvolvendo para promoção de equidade racial dentro das próprias empresas, afirma Leticia Portugal, pesquisadora sobre Blackwashing.
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