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EUA confirmam tarifaço de 25%; Brasil acionará lei da reciprocidade 

Repórter Brasil Tarde

No AR em 16/07/2026 - 12:45

Apesar das tentativas de negociação, o governo Trump resolveu aplicar as tarifas de 25% sobre a importação de produtos brasileiros. A medida começa a valer na próxima semana, no dia 22 de julho. Na decisão, publicada na noite dessa quarta-feira, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos alega que o Brasil tem práticas que oneram ou restringem o comércio de agricultores e exportadores norte-americanos. O governo brasileiro repudiou a medida e já afirmou que vai começar os trâmites para acionar a lei de reciprocidade.

A tarifa de 25% se aplica a milhares de produtos brasileiros, como açúcar, maquinário agrícola, vestuário, papel e aço. As isenções incluem carne bovina, café, terras raras, produtos energéticos, aeronaves, entre outros. A investigação contra o Brasil citou várias supostas práticas desleais, como desmatamento ilegal e o Pix, que, segundo o governo dos EUA, prejudica as empresas de cartão de crédito. O Brasil rejeitou todas as alegações.

O Brasil também foi incluído em outra investigação, com conclusão prevista para 24 de julho, sobre ligações com trabalho forçado nas cadeias de suprimentos de dezenas de países. Isso pode resultar em uma tarifa adicional de 12,5%.

Ainda na quarta-feira, o governo federal divulgou nota repudiando a decisão do governo Trump. A nota diz que o dia 15 de julho passará para a história das relações entre Brasil e Estados Unidos da América como um marco lastimável. Na nota, o governo brasileiro classifica como absurdas as acusações sobre o desmatamento. Diz que o Pix é patrimônio do povo brasileiro e referência internacional de infraestrutura pública digital. Acrescenta que a liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade e diz ainda que a lei de reciprocidade brasileira será acionada imediatamente, além de instrumentos para a solução de conflitos no âmbito da Organização Mundial do Comércio.

Indústria alerta para perda de competitividade


Os setores atingidos pelas novas tarifas dos Estados Unidos revelaram preocupação com a medida. Apesar das exceções, o Brasil é um dos países mais taxados pelo governo de Donald Trump.

Dentre os principais produtos atingidos pela tarifa de 25% estão máquinas e equipamentos industriais, equipamentos eletrônicos, móveis de madeira, roupas e calçados. Ao todo, a medida alcança cerca de 3 mil produtos brasileiros.

A medida coloca o Brasil entre os países com maiores barreiras para exportar ao mercado norte-americano. Os Estados Unidos são ainda o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás somente da China. Mas essa relação atingiu o menor patamar desde 1997. Nos anos 2000, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras chegou a 25%. Hoje não passa de 9%.

No primeiro semestre deste ano, o comércio entre Brasil e Estados Unidos somou US$ 36 bilhões, uma queda de 12,8% em relação ao mesmo período do ano passado. As exportações brasileiras recuaram 13%, para US$ 17,4 bilhões. As importações caíram 12,5%, somando US$ 19 bilhões.

Em nota publicada na manhã de hoje, a Confederação Nacional da Indústria disse acompanhar com preocupação o anúncio da tarifa. Segundo a entidade, 20 das 27 unidades da federação reduziram as exportações aos Estados Unidos no primeiro semestre, e o cenário tende a piorar, corroendo a competitividade da indústria brasileira.

A nova tarifa deve aumentar a pressão sobre o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Mas para a economista, hoje o país depende menos do mercado americano e tem uma pauta de exportações mais diversificada.

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Criado em 16/07/2026 - 16:10

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