O número oficial de mortos pelos terremotos na Venezuela subiu para 3.342, com 16.740 feridos. Um relatório divulgado pela Assembleia Nacional Venezuelana mostra que o número de pessoas resgatadas permanece em 6.462. Houve, ainda, 17.345 pessoas deslocadas. Não há nenhum cálculo sobre o número de desaparecidos, mas acredita-se que sejam milhares.
Já são 11 dias de buscas e nenhuma esperança de encontrar sobreviventes. Algumas equipes de socorro internacionais, como da Bolívia e do Peru, já retornaram a seus países. Na chegada a Lima, o líder do grupo relatou um dos últimos resgates que a equipe fez, o de uma mulher, que levou entre 16 e 18 horas.
No estado de La Guaira, bombeiros resgataram um papagaio. Bastante debilitado, o pássaro recebeu água e comida e foi encaminhado para atendimento veterinário.
Mesmo em meio a muitos tremores secundários, que já somam quase 1.000, moradores se arriscam a voltar aos prédios destruídos para salvar o que restou. Eles usam cordas e as próprias mãos para baixar móveis e utensílios domésticos dos edifícios que os engenheiros ainda não consideram seguros. Hotéis, restaurantes e outros edifícios à beira-mar foram reduzidos a escombros. A economia do estado depende fortemente do turismo, aproveitando a localização na costa caribenha e a proximidade com Caracas para atrair visitantes.
A ajuda humanitária continua a chegar aos desabrigados. O primeiro carregamento emergencial da China partiu de Pequim rumo a Caracas na noite de domingo (5), transportando 80 toneladas de suprimentos de socorro.
Médicos cubanos também participam do socorro aos desabrigados e feridos, que são atendidos em um acampamento improvisado em La Guaira. Além de medicação, eles recebem apoio psicológico e emocional.
Em Caracas, a presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou a criação de uma unidade militar para reforçar a capacidade do país de responder a futuras emergências e desastres naturais. Ela não forneceu mais detalhes sobre a estrutura, o tamanho ou o cronograma de implantação da unidade.
Fabiana Blanco: vida entre escombros
A menina Fabiana Blanco, de 12 anos, que ficou 30 horas sob os escombros da casa dela e que deu um sorriso ao ser encontrada. Fabiana estava sozinha em casa quando aconteceram os terremotos. A mãe havia saído para trabalhar mais cedo naquele dia. Ela conta que ficou presa em um corredor estreito entre a cozinha e os quartos e com tudo o que caiu sobre as costas. Com o celular na mão, Fabiana se filmou sob os escombros enquanto esperava por ajuda. "Acabei no famoso triângulo da vida", disse, sorridente.
O resgate exigiu operações manuais precisas dos socorristas. Carlos García, que fazia parte da equipe, descreveu a missão em termos simples. “Ela era uma meta que eu havia estabelecido para mim mesmo, e ela foi alcançada”, afirmou.
Quando Fabiana finalmente foi resgatada, a primeira pessoa que viu foi a mãe, Karina Blanco, que a esperava no local. “A primeira coisa que eu disse a ela foi: nunca mais ficarei sozinha”, lembrou Fabiana. “Ela sofreu uma fratura no pé e um ferimento que requer tratamento contínuo”, disse o médico que a atendeu.
Fora dos eventos que a colocaram sob os holofotes, admiring Fabiana é uma aluna do sexto ano que gosta de ler, é fã da série de livros Harry Potter, que ganhou uma coleção dos socorristas, e tem a atriz Emma Watson entre seus modelos. A garota do sorriso, como passou a ser chamada, diz que espera se tornar atriz ou escritora.
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