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2026 pode ter o El Niño mais severo da história recente da humanidade

Repórter Brasil Tarde

No AR em 24/08/2026 - 12:45

Esta semana, o Repórter Brasil Tarde exibe uma série de reportagens sobre o Super El Niño, fenômeno climático considerado mais severo, esperado para este ano e que já é sentido em algumas regiões do planeta. De acordo com os serviços meteorológicos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, há mais de 90% de chances de 2026 ficar marcado pelo maior El Niño da história recente da humanidade.

Milhares de quilômetros separam o Brasil do Pacífico Equatorial. Mas é justamente ali que o aquecimento anormal da água do oceano deve trazer ao país uma reação em cadeia de efeitos climáticos opostos, como secas e enchentes.

O El Niño sobe para a categoria de Super El Niño quando a água da superfície do Pacífico aquece mais de dois graus. Nos últimos 150 anos, o mundo experimentou três Super El Niños: em 1982, 1997 e 2015. O evento de 1877 é considerado controverso. Segundo jornais da época, 500 mil pessoas morreram em uma grande seca no Nordeste brasileiro, mas não existe comprovação científica de que a tragédia climática tenha sido causada por um Super El Niño.

O fenômeno ocorre de maneira cíclica e é um processo natural da Terra. O problema é que, em 2026, vivemos em um planeta diferente: há aumento da ocupação urbana e do uso do solo, crescimento populacional, oceanos mais quentes e temperatura global, em média, 1,5 grau mais alta. Outra diferença é que, tradicionalmente, o El Niño deixa a superfície do oceano mais quente, mas, neste ano, o aquecimento vai ainda mais fundo.

O Super El Niño vai atingir o ápice no verão e trazer consequências até 2027. Funciona como um semáforo: quando ele abre, leva um tempo até que o último motorista, no fim da fila, perceba que o trânsito andou. O mesmo acontece com o oceano. Cada carro atrasando o processo representa uma variável, como a temperatura da atmosfera, as correntes marítimas, os ventos e as chuvas.

Ajudar a prever esses acontecimentos é o desafio de Fábio Hocheleitner, meteorologista há 20 anos. Ele estuda o comportamento do clima e coordena o Grupo de Observação da Terra, no Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Um de seus projetos é o Gêmeo Digital. O ambiente virtual funciona como uma reprodução da realidade. Nele, é recriada a Baía de Guanabara, bacia hidrográfica fluminense que compreende 35 rios e deságua em 53 praias.

Da seca ao excesso de água. Entre abril e maio de 2024, as enchentes no Rio Grande do Sul foram um dos maiores desastres da história gaúcha, com 183 mortes e 2,4 milhões de pessoas afetadas. Para 2026, o INPE emitiu avisos sobre eventos extremos semelhantes. O meteorologista explica que o El Niño aumenta a frequência de frentes frias que se aproximam do Brasil pelo Sul, mas o bloqueio atmosférico na região central do país impede que essas formações se desloquem.

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Criado em 24/08/2026 - 14:25

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