O governo brasileiro repudiou a decisão de Donald Trump de revogar o visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, e alegou serem falsas as justificativas para a medida. De acordo com o governo Trump, o motivo foi a demora do Itamaraty na resposta à concessão de aprovação diplomática do indicado dos Estados Unidos para assumir a embaixada do país, aqui no Brasil.
O governo brasileiro afirmou em nota que os Estados Unidos feriram a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, porque divulgaram o nome do candidato para assumir a embaixada no Brasil. De acordo com as regras, isso só poderia ser tornado público após a concessão da anuência do país anfitrião. O indicado é Daniel Pérez, político republicano ligado ao Secretário de Estado, Marco Rubio. O pedido feito ao Brasil está em análise, mas não há uma norma estipulando um prazo de resposta.
Quanto à alteração no visto da embaixadora, não impede que continue exercendo suas funções em território estadunidense. Mas, se ela deixar os Estados Unidos, pode ter problemas para retornar. O governo também afirma que o episódio faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas e com interesse de interferir nas próximas eleições aqui no país.
O Planalto lembra, ainda, que há dez dias o Brasil negou vistos a dois funcionários do governo norte-americano, que planejavam colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro. Ao mesmo tempo, seguem em vigor sanções sobre autoridades brasileiras, com base em alegações de perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Por fim, o governo brasileiro reitera a defesa do diálogo e da negociação em todas as suas relações internacionais. O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, comentou esse assunto hoje, em um evento empresarial.
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