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Investimentos em infraestrutura são proteção contra terremotos 

Repórter Brasil

No AR em 13/08/2026 - 19:00

Em 2023, terremotos de grande magnitude provocaram destruição e milhares de mortes em diferentes partes do mundo. Mas será que está mesmo havendo um aumento da frequência desses abalos? E o El Niño, que deve ganhar força nos próximos meses, ele tem alguma relação com esses terremotos? Bom, para entender o que a ciência já sabe sobre esses fenômenos e principalmente como reduzir os riscos para a população, a gente ouviu especialistas. 

Em julho, um terremoto de magnitude 7,8 atingiu as Filipinas, deixando dezenas de mortos e alertas de tsunami. No Japão, a terra tremeu forte em abril e em julho, interrompendo os serviços de trens-bala e deixando milhares sem energia. Mas foi na América do Sul que o impacto humano foi mais drástico. Na Venezuela, o desastre ocorrido no final de junho já contabiliza mais de 4.800 mortos e quase 18 mil pessoas desabrigadas. Nesta semana, a Colômbia sofreu o tremor mais forte da década, com magnitude 7,4, que já deixou pelo menos 265 mortos e quase 500 desaparecidos. A resposta está sob os nossos pés: na estrutura de quebra-cabeça da Terra, as placas tectônicas.

“Você tem uma pressão grande na rocha, então essa rocha vai tendo uma pressão tão grande que chega uma hora que ela não aguenta e aí o terremoto acontece. Onde é que tem essas fraturas, onde tem essas falhas? Geralmente no limite de placas tectônicas, ou então em maiores falhas geológicas, que faz com que se movimente”, explica George Sand, professor do Centro de Sismologia da USP.

E mesmo ocorrendo longe, a energia liberada é tão grande que as ondas viajam pela Terra e podem chegar ao Brasil.

“O terremoto dessa magnitude, ele tem uma área maior de abrangência e, por ser intermediário, vai sentir também regiões maiores ainda. E os prédios, normalmente os prédios, nos andares mais altos é que sentem esse efeito do terremoto. Então, esses terremotos de sete, acima de sete, nessas regiões, seja na Argentina, seja no Chile, seja na Colômbia, seja na Venezuela, é sentido em algumas cidades brasileiras”, afirma o professor. 

Com a previsão de um El Niño muito forte para este ano, muita gente começou a ligar o aquecimento das águas do mar aos tremores de terra.

“Bom, não tem nada na literatura científica que sugere que questões climáticas afetem a ocorrência ou não ocorrência de tremores. São mecanismos completamente não relacionados”, destacou Marcos Ferreira, geofísico do Serviço Geológico do Brasil. 

O que faz um evento desses piorar é principalmente a proximidade com grandes cidades e a falta de preparo das estruturas.

“O que dá para fazer no momento é fazer realmente o monitoramento disso. Nós vimos fazendo isso com os equipamentos modernos. No Brasil, nós temos a Rede Sismográfica Brasileira e, a partir desses dados, você consegue identificar quais são essas áreas mais potenciais de ocorrência, quais são os terremotos esperados dentro dos nossos catálogos sismológicos, e aí você deriva questões de risco sismográfico para poder definir quais parâmetros para construções”, pontua o geofísico. 

A ciência avança no monitoramento, mas a preparação e o investimento em infraestrutura segura são as defesas reais contra a força imprevisível que vem do interior da Terra.
 

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Criado em 13/08/2026 - 21:35

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