O Repórter Brasil Tarde mostrou, nos últimos dias, como criminosos transformaram salas de bate-papo do site e aplicativo Discord em palcos de violência contra crianças e adolescentes.
Desde quarta-feira (12), a plataforma está proibida de realizar transmissões ao vivo, as chamadas 'lives', em território brasileiro, até que apresente mecanismos que protejam os usuários. Veja na reportagem como começaram as investigações e o que aconteceu neste caso até agora.
O estopim para a suspensão das lives foi a Operação Lívia, que investiga o suicídio de uma adolescente de 13 anos em Mato Grosso do Sul, no final de julho. Ela tirou a própria vida durante uma transmissão ao vivo, que durou cerca de 45 minutos, dentro do Discord. A menina foi induzida e coagida por um grupo que assistia a tudo em tempo real. As vítimas eram forçadas a cumprir desafios de automutilação e de tortura a animais.
A Operação Lívia já resultou na apreensão de cinco adolescentes e na prisão de um homem de 18 anos em cinco estados diferentes. A partir das investigações, a Advocacia-Geral da União (AGU) se reuniu com representantes da empresa e cobrou o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente Digital.
Se a plataforma não se adequar, a AGU poderá pedir na Justiça a retirada do aplicativo do ar no Brasil, além da aplicação de multas que podem chegar a R$50 milhões por infração.
Na última quarta-feira, a Agência Nacional de Proteção de Dados decidiu suspender as transmissões ao vivo do Discord. O órgão explicou que o sistema da plataforma impede que a própria empresa monitore o que está sendo veiculado em tempo real.
O Discord só poderá reativar o serviço quando comprovar que adotou medidas eficazes de verificação de idade e segurança para proteger as crianças. A companhia classificou a suspensão como "prematura" e afirmou que a caracterização feita pelas autoridades não reflete os investimentos que a empresa faz em segurança.
Além disso, alegou que coopera com as investigações e que removeu o servidor envolvido na tragédia de Mato Grosso do Sul assim que o identificou.
Monitoramento dos pais é essencial
A vigilância ativa dos pais é a primeira linha de defesa para crianças e adolescentes no ambiente digital. Especialistas recomendam que as famílias conversem abertamente sobre os perigos da rede e monitorem os ambientes virtuais frequentados pelos filhos.
Se você ou alguém que você conhece está passando por um momento difícil e precisa de apoio emocional, não hesite em buscar ajuda. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito e sigiloso, 24 horas por dia. Ligue para o número 188 ou acesse o site da instituição.
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