Uma pesquisa internacional com mais de 58 mil adolescentes de 21 países revelou que o chamado "tempo livre desestruturado" aumenta o risco de jovens se envolverem em violência e atos infracionais. O estudo mostra que esse período, sem supervisão de adultos e sem atividades como esporte, cultura ou educação, favorece comportamentos de risco.
No Brasil, a pesquisa teve participação da Universidade de São Paulo (USP), e ouviu cerca de 1.900 adolescentes de 13 a 17 anos em escolas públicas e particulares de Ribeirão Preto e Sertãozinho, no interior de São Paulo. Os questionários foram anônimos. Segundo os pesquisadores, o fator mais associado à delinquência continua sendo a convivência com amigos envolvidos em crimes. Mas o tempo livre sem orientação aparece em seguida como um dos principais fatores de risco.
O levantamento também identificou crescimento da participação de meninas em delitos praticados pela internet, principalmente ataques ofensivos relacionados à aparência física. Além disso, adolescentes que são ao mesmo tempo vítimas e autores de violência apresentam maior sofrimento emocional e dificuldades familiares e escolares.
Os pesquisadores defendem que ampliar o acesso a atividades esportivas, culturais e de lazer pode ajudar a reduzir esses índices. O estudo estima que uma redução de 20% no tempo livre desestruturado fora de casa pode diminuir em quase 10% a ocorrência de delitos entre adolescentes.
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