A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o uso do medicamento Sunlenca na prevenção do HIV. Seu uso é injetável, apenas duas vezes por ano, com grande eficácia. No entanto, o alto custo ainda é uma barreira para a população mais vulnerável.
Vicky Tavares fundou uma ONG há 20 anos para defender os direitos das pessoas que vivem com aids e também para acolhê-las. Nesta casa, vivem 27 pessoas. São famílias que tiveram dificuldade de tocar a vida com a doença. O sonho de Vicky é que todos se previnam contra o HIV, por isso recebeu com festa a notícia do novo remédio autorizado pela Anvisa.
“Eu fiquei muito emocionada e estou ainda, porque é mais uma descoberta, mais um cuidado que pode ter de precaução, e isso é muito importante para essa sociedade que está, às vezes, excluída. Se o SUS trouxer isso para a gente, vai ser fabuloso”, comemora a criadora da ONG Vida Positiva.
O Brasil já adota medicamentos que previnem a infecção pelo vírus HIV. São comprimidos que devem ser ingeridos constantemente. A principal inovação do lenacapavir é a forma de uso: uma injeção aplicada a cada seis meses, com uma eficácia que chegou a 100% na fase de testes. A indicação é para pessoas a partir de 12 anos, que corram risco de infecção via sexual.
“São avanços até pensando em populações mais vulneráveis, que não consegue garantir o uso diário. Vamos imaginar cenários de pessoas em situação de rua, pessoas que estão em situação de privação de liberdade, onde tem dinâmicas sociopsicológicas mais complexas e você não consegue garantir que o oral seja ingerido todo dia como deve”, destaca José David Urbaez Brito, responsável técnico distrital de infectologia.
A medicação traz esperança para o cenário brasileiro em que o HIV é ainda tão presente. Nosso país registra, em média, 39 mil novas infecções por HIV por ano, com taxa aproximada de 18 casos por 100 mil habitantes. A maior concentração de casos de HIV e aids está entre pessoas de 25 a 39 anos, com predomínio entre homens, especialmente adultos jovens. As regiões com maior incidência são a Sudeste, seguida pelas regiões Nordeste e Sul.
Ainda não há previsão para o lenacapavir chegar ao mercado. Depois da aprovação da Anvisa, ainda há uma série de etapas técnicas, como a determinação do preço máximo do produto. E, por falar em preço, o medicamento custa cerca de US$ 20 mil dólares anuais, para duas injeções. O governo brasileiro ainda precisa negociar esse valor para incluir o medicamento no programa HIV/Aids.
“Eles têm que dar vazão a essa produção. O Brasil funciona como uma grande vitrine, exatamente porque nós construímos ao longo de 40 anos esse programa, que é de uma imensa robustez”, lembra José David Urbaez Brito.
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