Os Estados Unidos atacaram o território da Venezuela e capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro na madrugada deste sábado (3/1). A captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foi anunciada numa rede social no início da manhã pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Mais tarde, em coletiva de imprensa, Trump anunciou que os Estados Unidos irão comandar a Venezuela até uma transição justa de poder e que os EUA controlarão as reserva de petróleo do país.
O apresentador do Repórter Brasil, Guilherme Portanova, conversou com o jornalista Jamil Chade sobre os impactos dessa intervenção americana inédita em um país da América do Sul.
Jamil Chade afirma que o ataque dos Estados Unidos à Venezuela se tornou o principal tema internacional do momento, com impactos que ultrapassam a América Latina. Segundo ele, a ação revela uma postura explícita do governo Donald Trump em relação ao controle regional dos EUA sobre o próprio hemisfério, mais do que uma preocupação com democracia ou combate ao narcotráfico. Na coletiva de imprensa, Trump teria deixado claro que o foco central era o petróleo e a reafirmação do poder americano na região.
O jornalista destaca que a reação internacional tende a ser fragmentada. A Europa adotou uma postura cautelosa e distante, evitando compromissos mais firmes. Já na América Latina, a divisão é evidente: enquanto alguns governos condenam a ação, outros, como o da Argentina, comemoraram publicamente a captura de Nicolás Maduro. Esse cenário deve tornar difícil qualquer consenso na reunião da Celac, marcada por tensões internas e posições conflitantes.
Chade também aponta para a reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, solicitada por Colômbia e Venezuela. Ele observa que, embora países como Rússia e outros críticos da ação americana devam condená-la, o governo dos Estados Unidos participará da reunião e deverá justificar sua atitude. No entanto, segundo o jornalista, Trump deixou claro que não se importa com o multilateralismo nem com o direito internacional quando considera que os interesses dos EUA estão em jogo.
Sobre Nicolás Maduro, Jamil Chade explica que há um indiciamento em uma corte de Nova York, baseado em acusações de envolvimento com tráfico de drogas. As acusações remontam a fatos de cerca de 20 anos atrás e estão detalhadas em um documento de 28 páginas. Para o jornalista, o processo judicial seguirá seu curso formal mas, diante do contexto político e dos acontecimentos recentes, ele considera praticamente impossível que Maduro seja declarado inocente.
Por fim, Chade chama atenção para a contradição no discurso do governo americano: embora o processo judicial trate do tráfico de drogas, Trump concentrou sua fala pública no controle do petróleo venezuelano. Para o jornalista, isso reforça a leitura de que a motivação central da ação dos EUA é estratégica e econômica, e não jurídica ou moral.
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