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Quais os interesses de Trump ao criar um “Conselho da Paz” para Gaza?

Repórter Brasil

No AR em 22/01/2026 - 19:00

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou, nesta quinta-feira (22), o Conselho da Paz, que, segundo ele, tem o objetivo de pacificar e reconstruir a Faixa de Gaza. O anúncio ocorreu no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

Apesar desse lançamento oficial do Conselho da Paz, ainda não está clara sua legitimidade para propor qualquer ação de paz em territórios estrangeiros. Ele foi criado para tratar das questões da Faixa de Gaza, mas afirmou que o conselho poderá atuar em outros conflitos internacionais. Durante seu discurso em Davos, o presidente dos Estados

Unidos afirmou que todo mundo quer fazer parte do Conselho da Paz. Mas vários países convidados, inclusive o Brasil, ainda não responderam ao convite. 

Segundo Trump, 59 países já estão alinhados para participar desse grupo, mas, oficialmente, apenas 22 nações se comprometeram, como Arábia Saudita, Argentina e Israel. Países como Noruega, França e Reino Unido já anunciaram que não devem se juntar ao grupo.

Análise 

De acordo com o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, Roberto Menezes, os interesses de Trump com esse anúncio estão longe de se serem altruístas. 

“O nome é pomposo, mas a realidade que quer tratar, de fato, é a colonização completa da Faixa de Gaza por Israel. E os Estados Unidos estão querendo enredar outros países no seu plano de colonialismo da Faixa de Gaza. Ou seja, é trazer outros países para legitimar essa arbitrariedade, essa violência contra os palestinos.

E os Estados Unidos… o Trump já diz que esse conselho será consultivo, ou seja, primeiro, que para ingressar tem que pagar 1 bilhão de dólares; segundo, que será consultivo; e, terceiro, é ele quem vai ter a palavra final. Não é o Congresso dos Estados Unidos, não é um consórcio de países, mas é ele.

E o outro ponto importante é que os Estados Unidos do Trump, o próprio Trump, já propôs fazer o quê fazer com a Faixa de Gaza? Remover todos os palestinos à força, empurrá-los para fora da Faixa de Gaza, através da passagem para o Egito, portanto aumentar a diáspora palestina e entregar a Faixa de Gaza a Israel e fazer lá um resort. Isso foi o Trump quem disse no auge do genocídio contra os palestinos.

O Brasil tem muita história envolvida na diplomacia e na geopolítica do Oriente Médio, e sobretudo nessa questão. Então, o mínimo que o governo brasileiro, que defende a democracia e defende a autodeterminação dos povos, é jamais entre em um conselho que, embora tenha o nome pomposo de Conselho da Paz, trata-se, na verdade, de um comitê de colonização completa da Faixa de Gaza e contra o direito histórico do povo palestino de viver em paz.”
 

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Criado em 22/01/2026 - 20:05

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