Pesquisas recentes mostram que a busca pela equidade de gênero na pesquisa científica avançou no país, mas ainda são poucas as cientistas com influência em políticas públicas. Essa conclusão é de um relatório da editora de periódicos científicos Elsevier em parceria com a Agência Bori. O percentual de autoras de publicações científicas em ciência, tecnologia, engenharia e matemática saltou de 35% em 2002 para 45% em 2022. Nossa equipe visitou um projeto no Rio que certamente contribui para essa transformação.
Thayssa Silva Costa está no terceiro ano do ensino médio. Ela queria uma carreira na área de moda, mas decidiu recalcular a rota depois de entrar para o projeto Meninas e Mulheres na Ciência (MMC) do Coluni, colégio vinculado à Universidade Federal Fluminense. A meta agora é trilhar uma carreira na área da medicina. “Leio vários livros de coisa de medicina, então me trouxe uma paixão, um brilho no olhar”, conta ela.
A Thayla Peixoto está no primeiro ano do ensino médio, não tem uma clara ideia de que carreira seguir, mas se encanta com as possibilidades de atuação com ciência e pesquisa. “Eu tenho certeza que o projeto MMC vai me ajudar e vai me orientar para o que eu quero ser mesmo”, acredita.
O objetivo do projeto é oferecer, ainda no ensino médio, novas experiências, referências de mulheres que trilharam carreiras científicas.
“Nosso lema é o seguinte: enquanto a gente fizer pergunta para qualquer menina da educação básica sobre "quem são os seus cientistas de referência?" e ela continuar lembrando Albert Einstein apenas, nós temos muito trabalho a fazer”, afirma Gisele Miranda, Coordenadora do projeto Meninas e Mulheres na Ciência (MMC).
O projeto Meninas e Mulheres na Ciência cresceu e deu frutos. Esse grupo de estudantes do ensino básico tem artigos publicados em revistas científicas e eventos acadêmicos. Hoje são desenvolvidas 13 atividades simultâneas pensadas também por eles. Um exemplo é o Quimiquinha Flix, um projeto que apresenta conteúdos de química de forma lúdica e prática como se fosse uma série daquelas que a gente senta para maratonar.
As biografias das cientistas ensinam às alunas que a pesquisa é também lugar de mulher. Elas e eles desenvolvem habilidades de comunicação, viajam para apresentar trabalhos e fazem o podcast Pod&Rosas, em áudio e vídeo, com entrevistas de pesquisadoras e ex-alunas do colégio. A professora de matemática Ana Paula Pereira explica um conceito-chave para o grupo: empoderamento científico para dar aos alunos possibilidades de escolha de uma carreira, sem que eles rejeitem alguma disciplina só porque é difícil.
“Esse empoderamento científico ele se faz exatamente nisso, na hora em que elas conseguem se expressar e se colocar nesse lugar de protagonistas”, destaca a professora.
“Quando as meninas sentem vergonha de participar das aulas, especialmente das aulas de ciências, de matemática, e os meninos se sentem super confortáveis em estar participando, tirando dúvidas”, pontua Gisele.
“Não se faz um cientista quando ele já concluiu lá a sua graduação. O cientista é construído desde as séries iniciais. Então, e aqui a gente tem essa oportunidade”, lembra a professora de matemática.
“Hoje eu tenho alunos que estão fora do país, na Itália, fazendo doutorado. E a gente fica assim, muito orgulhosa”, comemora a coordenadora do MMC.
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