A morte da PM Gisele Alves Santana, que vai completar um mês e segue sem solução. O advogado da família da vítima divulgou novas informações sobre o caso na tarde desta segunda-feira (16).
A defesa chamou a imprensa para revelar boletins de ocorrência registrados por ex-mulheres do tenente-coronel Geraldo Rosa Neto. Em um deles, de 2009/2010, uma ex-mulher registra a ocorrência afirmando que eles já tinham terminado o relacionamento há cerca de dois anos e que, mesmo assim, ele continuava a ameaçando. Ela diz, inclusive, nesse boletim de ocorrência, que se o tenente-coronel a visse com outra pessoa em um outro relacionamento, ele poderia matá-la.
Há um outro boletim de 2022, registrado por uma outra mulher, também por ameaça e, por fim, uma decisão judicial desfavorável a ele. O caso é de uma policial militar, uma mulher subordinada a ele. Ele removeu essa PM junto com outras policiais militares descontentes, elas reclamaram à Polícia Militar, mas não houve solução na corporação. Essa policial, então, recorreu à Justiça e pediu uma indenização por dano moral devido a assédio no trabalho. A Justiça condenou o tenente-coronel a uma indenização de R$ 5.000. Segundo a defesa da PM Gisele, quem vai pagar essa indenização é o Estado, a Polícia Militar.
O advogado também mostrou para a imprensa um áudio trocado com o pai de Gisele. Nesse áudio, segundo a defesa, fica comprovado que Gisele queria se separar do tenente-coronel. Esse áudio é do ano passado, e ela conversa com o pai sobre uma casa para que pudesse se mudar e se separar, então, do tenente-coronel.
“Não, pai, para mim é melhor aí na rua, entendeu? Quanto mais perto daí, melhor. Por que, o que acontece? De manhã eu vou sair muito cedo para ir trabalhar. E aí eu vou ter que deixar (a criança) dormindo aí, entendeu? Era isso aí que eu estava pensando. E aí se for lá no Jardim Helena, eu vou ter que voltar para o Romano, e aí do Romano pegar o trem para ir trabalhar cedo, entendeu? Aí não compensa. Então, quanto mais perto melhor, porque eu já deixo ela aí e já pego o trem para ir trabalhar, entendeu? Para não ficar tendo essa viagem aí de manhã, entendeu? Vai e volta. Que eu perco muito tempo, entendeu? Eu entro cedo aqui no serviço.”
O inquérito da Polícia Civil deve ser concluído nesta semana, porque vão se completar 30 dias do dia em que Gisele foi encontrada morta. A defesa dos familiares afirma que tem, sim, uma expectativa de que a polícia peça a prisão preventiva do tenente-coronel em virtude desse caráter intimidatório que ele tem e que, segundo a defesa, ficou comprovado hoje com esses boletins de ocorrência e com essas novas informações. A defesa afirma ainda que, se ele já estivesse preso, outras mulheres poderiam se motivar a fazer outras denúncias de agressão que, segundo a defesa, devem existir.
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